Terça-feira, 23 de julho de 2024

Terça-feira, 23 de julho de 2024

Voltar Com as maiores bancadas do Congresso, o PL de Bolsonaro e o PT de Lula deverão contar com um cofre turbinado no ano que vem

Com as maiores bancadas do Congresso, o PL, de Jair Bolsonaro, e o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverão contar com um cofre turbinado no ano que vem para tentar mudar a lógica das últimas eleições municipais e desbancar siglas que tradicionalmente elegem mais prefeitos, como MDB e PP.

A estratégia envolve apoio ao aumento no fundo eleitoral, que pode chegar a R$ 4,9 bilhões. Caso a cifra seja aprovada pelo Parlamento, a legenda de oposição terá em caixa um montante cinco vezes maior do que o da ultima disputa, em 2020, enquanto petistas mais do que dobrarão o valor disponível — já contando a inflação no período.

Caciques dos dois partidos trabalham para vencer resistências à ampliação do chamado fundão, que beneficiaria sobretudo as duas siglas. A regra de divisão dos recursos leva em conta o número de representantes eleitos em 2022, quando PL (99 deputados) e PT (69) conquistaram mais cadeiras que as outras siglas.

Caso o Congresso chancele o montante de R$ 4,9 bilhões, o fundão dará um salto de 145% entre uma eleição municipal e outra — em 2020 era de R$ 2 bilhões. Nesse cenário, o PL teria a maior fatia, de R$ 880 milhões, valor 500% maior do que os R$ 146,5 de quatro anos atrás, quando elegeu 345 prefeitos, nenhum deles nas capitais.

O caixa recheado, porém, nem sempre resulta em dividendos eleitorais. Em 2020, quando era presidente, Bolsonaro havia rompido com o PSL, pelo qual havia sido eleito dois anos antes e que ajudou a tornar uma potência. Brigado com a cúpula, o ex-presidente pouco se envolveu nas campanhas municipais e, mesmo com o segundo maior caixa eleitoral daquele ano, a legenda conquistou apenas 90 prefeituras, menos até do que partidos como PSC (116 prefeitos eleitos) e Cidadania (139).

Outro cenário

Agora, o cenário mudou: a eleição de 2024 deverá ser a primeira vez desde o pleito do ano passado que as duas principais forças políticas do país, Lula e Bolsonaro, devem se envolver ao mesmo tempo nas disputais municipais.

Na conferência do PT realizada em Brasília no final de semana, o presidente Lula já indicou que percorrerá o país no ano que vem para ajudar o partido. Em 2020, a sigla elegeu apenas 182 prefeitos, ficando em 11º lugar no ranking de prefeituras conquistadas. Com o fundão maior, o PT teria um salto de 146% no valor disponível para distribuir entre seus candidatos, de R$ 616 milhões (em 2020 teve R$ 250,7 milhões).

“É razoável esperar alteração no mapa de partidos com mais prefeituras, não apenas devido aos recursos do fundo eleitoral, mas também por causa da mudança do governo federal”, afirmou Marta Mendes, cientista política da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Votação

O valor exato do fundo eleitoral ainda deve ser definido pelo Congresso no projeto do Orçamento de 2024. Na última semana, contudo, o relator da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), Danilo Forte (União-CE), indicou que a quantia deve ser elevada ao incluir em seu parecer a possibilidade de levá-lo a R$ 4,9 bilhões, a mesma quantia das eleições 2022. Caso confirmada, a alta será de 150% em relação ao que foi distribuído aos partidos em 2020.

Apesar de o governo ter proposto uma quantia bem menor, de R$ 900 milhões, aliados avaliam que o Executivo não vá interferir no assunto.

“Defendo manter o valor da última eleição (2022). O governo não vai brigar por isso. É decisão do Congresso”, afirmou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), integrante da comissão executiva da sigla.

O líder do PL na Câmara, Altineu Côrtes (RJ), também defende o valor mais alto e diz que a proposta do governo para o fundão é “ridícula”.

PSD x MDB

O argumento também é usado por dirigentes de partidos de centro. O PSD, de Gilberto Kassab, conta com o fundão maior para manter a dianteira entre as legendas que mais comandam prefeituras A sigla ultrapassou o MDB após iniciar uma ofensiva e filiar prefeitos eleitos em 2020 por outras siglas. Hoje tem 968 municípios e os emedebistas, 854.

“A disputa municipal tem muito mais candidato. Em todas as cidades há chapa de vereador, prefeito”, diz Kassab.

O consultor político João Hummel, da Action Relações Governamentais, afirma que a mudança do quadro do comando das prefeituras vem ocorrendo com a mudança de partido dos prefeitos. O chefe do Executivo de Maceió, João Henrique Caldas, por exemplo, foi eleito pelo PSB, mas migrou para o PL.

“Sem dinheiro não se faz campanha eleitoral. E quem tiver muito dinheiro terá um poder de barganha significativo para fazer nominatas para vereador e prefeito”, afirmou Hummel.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

No Ar: Show Da Manhã