Sexta-feira, 13 de março de 2026

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Voltar Com a disparada da cotação internacional do petróleo, mercado financeiro prevê corte menor da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião da semana que vem

As expectativas do mercado para a próxima decisão de juros no Brasil mudaram nos últimos dias. Com a escalada da guerra no Oriente Médio e a disparada do petróleo, investidores passaram a apostar em um corte menor da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para a próxima semana, no dia 18 de março.

Agora, o consenso do mercado aponta para uma redução de apenas 0,25 ponto percentual, e não mais de 0,5 ponto, como era majoritariamente esperado até pouco tempo atrás. Conforme pesquisa, 54% dos investidores esperam um corte de 0,25 ponto, enquanto 35% ainda apostam em uma queda de 0,5 ponto. Outros 11% veem possibilidade de manutenção da taxa, atualmente em 15% ao ano.

A mudança nas apostas ocorre em um momento de aumento das preocupações com a inflação global, provocado pela disparada do petróleo após a escalada do conflito entre EUA e Irã. A guerra no Oriente Médio tem elevado os riscos para o fornecimento global de petróleo, especialmente porque a região abriga o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte da commodity.

Com ataques a navios e temores de interrupção no fluxo de petróleo, o barril voltou a se aproximar de US$ 100, o que reacende o alerta para pressões inflacionárias. Isso acontece porque, quando o preço do barril sobe, combustíveis como gasolina e diesel ficam mais caros, o que aumenta os custos de transporte e de produção em praticamente todos os setores.

Na prática, isso significa que empresas passam a pagar mais caro para produzir e distribuir mercadorias, desde alimentos até bens industriais. E, para preservar seus resultados operacionais, parte desses custos acaba sendo repassada ao consumidor.

Além disso, é importante lembrar que o petróleo também influencia o preço de fertilizantes e outros insumos industriais, o que amplia o efeito inflacionário. Como combustíveis e fretes são componentes importantes da estrutura de preços da economia, uma alta do petróleo tende a pressionar a inflação brasileira. Por isso, movimentos bruscos na commodity costumam ser observados com atenção pelo Banco Central (BC).

A preocupação com os preços ganha força principalmente após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. O indicador subiu 0,70% no mês, acima da mediana das estimativas do mercado, que apontava para 0,63%. As projeções iam de 0,42% a 0,82%.

Diante desse cenário mais incerto, investidores passaram a apostar que o BC pode agir com mais cautela no ritmo de cortes de juros. Na ata da última reunião, o Copom já havia indicado que a magnitude e a duração do ciclo de redução da Selic dependeriam da evolução do cenário econômico.

Agora, a combinação de inflação mais forte e tensões geopolíticas aumenta a chance de um ritmo mais moderado de queda da taxa. No Boletim Focus, divulgado nesta semana pelo Banco Central, a expectativa para a Selic no fim deste ano subiu de 12% para 12,13%. (Com as informações do Valor Investe)

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