Terça-feira, 28 de maio de 2024

Terça-feira, 28 de maio de 2024

Voltar Colapso de mina e CPI podem atrapalhar venda da Braskem

Nas últimas semanas, a Braskem perdeu R$ 2,7 bilhões em valor de mercado por causa das repercussões do afundamento de solo em cinco bairros de Maceió (AL). O agravamento da situação em Alagoas, após o rompimento da mina 18 de extração de sal-gema na Lagoa Mundaú, aliado ao Congresso Nacional decidir abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso, colocam em xeque o futuro da petroquímica.

A empresa já está à venda há alguns anos. Em 2019, um negócio chegou a ser praticamente fechado, com uma petroquímica holandesa, mas na última hora acabou dando errado. Este ano, as coisas pareciam estar caminhando bem.

Ofertas foram feitas e conversas levadas adiante com mais de um interessado na compra. Mas, de repente, novos entraves apareceram no caminho, e mais uma vez surgiram dúvidas sobre a possibilidade de a venda realmente acontecer.

Para analistas, isso deve dificultar a venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica para a Adnoc, a estatal de petróleo de Abu Dhabi, que em 10 de novembro formalizou uma oferta de R$ 10,5 bilhões pela maior parte de suas ações na Braskem, deixando ainda 3% de participação ao grupo baiano.

As maiores dúvidas entre os analistas se concentram nas provisões já feitas pela empresa em balanço para cobrir os custos dos efeitos do colapso da mina à população afetada. Ao menos 55 mil pessoas tiveram de abandonar suas casas. Há o temor entre os analistas de que esses valores não sejam suficientes para cobrir todos os prejuízos sociais e ambientais do desastre, além das indenizações.

A Novonor é dona de 50,1% do capital votante da Braskem e de 38,3% do total, enquanto a Petrobras detém 47% e 36,1%, respectivamente.

Os analistas, que temem a repetição do que aconteceu em 2019, lembram que entre os fatores que complicaram na época a transação já estavam os primeiros relatos da possível responsabilidade da Braskem no afundamento do solo em bairros da capital alagoana. As incertezas dos impactos financeiros que o caso traria teriam feito os holandeses recuarem.

“Ainda há muitas incertezas se o provisionamento feito até aqui não precisará aumentar”, diz o analista de investimentos João Daronco, da Suno Research.

“O incidente recente mostra que o preenchimento das cavas é mais complexo do que a empresa esperava e se teme que a área de influência do desastre possa aumentar e afetar outros bairros. Como aconteceu algo sem precedentes, não se pode garantir, dentro do escopo técnico, conhecer todos os cenários e consequências”, diz Daronco, lembrando que a pressão política deve aumentar ainda mais com a CPI.

Como uma das principais sócias da Braskem, a Petrobras tem a prioridade de compra das ações da Novonor, e ela está exercendo o seu direito de avaliar preferencialmente a empresa. Contudo, embora o novo plano de investimentos da estatal inclua US$ 11 bilhões destinados a projetos ainda em avaliação, caso da compra das ações da Braskem, essa opção enfrentaria dificuldades políticas e a Petrobras não apresentou proposta.

Os analistas avaliam que uma decisão da Petrobras pela compra das ações traria de volta memórias de pagamentos ilegais da estatal para a Odebrecht, empresa alvo das investigações da Operação Lava Jato, e um tema sensível para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

 

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No Ar: Caiçara Confidencial