Terça-feira, 07 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 7 de abril de 2026
A Rússia e a China vetaram, nesta terça-feira (7), uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que pedia o desbloqueio do Estreito de Ormuz e incentivava a escolta de navios.
A proposta já havia sido diluída em uma tentativa de convencer os dois países a se absterem, mas as mudanças não surtiram efeito. O texto foi preparado pelo Bahrein e apoiado pelos países do Golfo e pelos Estados Unidos.
Além dos dois votos contrários, o projeto recebeu 11 votos a favor e duas abstenções – do Paquistão e da Colômbia.
A votação ocorreu poucas horas antes do fim do prazo determinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial. A via marítima está sob controle iraniano desde o início da guerra no Oriente Médio, o que fez os preços da energia dispararem. Trump ameaçou atacar pontes e usinas de energia iranianas caso o estreito não estivesse livre até às 21h(no horário de Brasília) desta terça-feira.
“Deixar de adotar esta resolução envia o sinal errado ao mundo, às pessoas do mundo”, disse o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, após a votação. “Esse é o sinal de que a ameaça às vias navegáveis internacionais pode passar sem qualquer ação decisiva da organização internacional responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais”, acrescentou.
Mudanças na proposta
A proposta de resolução passou por mudanças para tentar convencer a Rússia e a China a absterem-se em vez de a vetarem.
O texto inicial teria autorizado os países a usar “todos os meios necessários” – formulação da ONU que incluiria ação militar – para garantir o trânsito pelo Estreito de Ormuz e dissuadir tentativas de fechá-lo.
Depois que Rússia, China e França – países que têm poder de veto no Conselho de Segurança – manifestaram oposição à aprovação do uso da força, o texto foi alterado para eliminar todas as referências a ações ofensivas. A nova versão autorizaria apenas “todos os meios defensivos necessários” e deveria ter sido votado no sábado, 4, no entanto, mais mudanças foram feitas para suavizá-la, como a eliminação de qualquer referência à autorização do Conselho de Segurança – que é uma ordem para ação – e limitação de suas disposições ao Estreito de Ormuz – enquanto versões anteriores incluíam águas adjacentes.
A proposta vetada nesta terça-feira encorajava “fortemente os Estados interessados no uso de rotas marítimas comerciais no Estreito de Ormuz a coordenar esforços, de natureza defensiva, proporcionais às circunstâncias, para contribuir para garantir a segurança da navegação”.
Segundo o texto, isso deveria incluir a escolta de embarcações mercantes e comerciais e a dissuasão de tentativas de fechar, obstruir ou interferir na navegação internacional pela via marítima.
O projeto também exigia que o Irã interrompesse imediatamente os ataques a embarcações mercantes e comerciais e deixasse de impedir a liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz, além de cessar ataques à infraestrutura civil.
Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã tem como alvo hotéis, aeroportos, prédios residenciais e outras infraestruturas civis em mais de 10 países, incluindo vizinhos do Golfo, que são alguns dos maiores exportadores de petróleo e gás natural do mundo.
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