Terça-feira, 25 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 15 de agosto de 2026
O uso do chapéu por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na foto que aparecerá na urna eletrônica neste ano pode ajudar a renovar a imagem do presidente, mas também traz riscos para a estratégia de comunicação da campanha, avalia Natália Mendonça, professora de marketing político da ESPM. Para a especialista, a novidade pode reforçar o reconhecimento visual de Lula, mas também provocar estranhamento entre eleitores e alimentar especulações sobre a saúde do petista.
Esta será a primeira vez que Lula terá um acessório em sua foto de urna desde o início de suas participações em disputas presidenciais após a redemocratização, em 1989. O presidente passou a usar o chapéu em maio deste ano, depois da retirada de uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo. A recomendação médica é proteger a região durante o processo de cicatrização.
Para Natália Mendonça, a mudança na aparência de uma figura tão conhecida como Lula inevitavelmente será percebida pelo eleitorado. Segundo ela, parte dos eleitores pode enxergar o chapéu como uma escolha estética ou uma característica da atual fase de Lula. Outra parcela, porém, pode relacionar o acessório diretamente ao problema de saúde enfrentado pelo presidente. Essa última interpretação, segundo a professora, é a que exige maior atenção da campanha.
“As três leituras vão conviver, e a campanha não controla qual delas prevalece em cada bolha. Para o eleitor já convencido, o chapéu tende a ser lido como estética e afeto regional. Para o eleitor de centro, tende a ser lido como a fase atual de Lula, mais velho, mais leve, com outro tipo de presença. E existe uma terceira leitura, que circula sobretudo nas redes: a de que o chapéu esconde alguma coisa ligada ao problema de saúde. Essa é a leitura que a campanha precisa monitorar, porque é ela que alimenta boato e teoria da conspiração”, enfatiza.
Apesar das interpretações variáveis e os possíveis riscos, para a especialista em marketing político a escolha de levar o chapéu para a fotografia da urna é uma decisão “ousada” do PT. O acessório poderia permanecer restrito aos eventos públicos, mas a campanha optou por incorporá-lo à imagem que acompanhará o eleitor no momento do voto.
“Incorporar o chapéu de forma tão explícita, inclusive na foto da urna, é uma decisão ousada. Ele poderia ter ficado como elemento de apoio, coadjuvante. A campanha escolheu colocá-lo como protagonista. Do lado dos benefícios, a ousadia faz sentido. A campanha de 2026 precisava de frescor”, avalia.
Natália Mendonça também destaca a importância de manter uma identidade visual coerente entre a aparência de Lula durante a campanha e a imagem que será apresentada ao eleitor na urna. Segundo ela, a familiaridade com o candidato pode facilitar o reconhecimento no momento da votação, enquanto uma mudança inesperada pode provocar dúvidas.
“A urna é o último contato da campanha com o eleitor. Ali não há legenda, não há explicação, não há quem responda para o eleitor. É o rosto sozinho, na hora da decisão”, conclui. As informações são do portal de notícias Terra.
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