Quarta-feira, 02 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 10 de maio de 2026
Dados do painel estatístico da Secretaria Estadual da Sáude (SES) apontam uma queda de 97,1% nos casos de dengue no Rio Grande do Sul entre 1º de janeiro e 8 de maio, em comparação a igual período no ano passado. São 994 confirmações, contra 35.433 naquele intervalo. Os desfechos fatais tiveram queda semelhante: 96,8%, passando de 32 a uma ocorrência.
O governo gaúcho atribui a baixa às ações de controle do mosquito transmissor – a fêmea do Aedes Aegypti – desenvolvidas pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), vinculado à SES. Menciona, ainda, condições climáticas específicas e a vacinação de grupos prioritários.
“Mesmo assim, é fundamental manter as iniciativas de prevenção e controle do inseto para sustentar essa tendência”, avalia a chefe da seção de Vigilância Epidemiológica do Cevs, Roberta Vanacor. “Ao longo do ano passado, o total de casos chegou a 52.794, com 53 mortes. Historicamente, a maior circulação da dengue no Rio Grande do Sul ocorre em abril.”
Prevenção
Dentre as ações de monitoramento, prevenção e controle da proliferação Aedes destaca-se a técnica denominada “ovitrampas”, que consiste em armadilhas para coleta de ovos do mosquito. O método detecta a infestação pelo inseto e contribui para direcionar estratégias, além de avaliar seu impacto.
Trata-se de um dispositivo atualmente implementado em 342 dos 497 municípios (quase 70%). De janeiro a abril do ano passado, 238 prefeituras instalaram ovitrampas, número reduzido para 104 em igual intervalo de 2026.
Outro método utilizado pelo Cevs é a borrifação residual intradomiciliar (BRI), hoje praticada por 224 municípios (45% do total). De 1º de janeiro a 8 de maio de 2025, ao menos 119 secretarias municipais já recorriam a esse tipo de prevenção, ao passo que neste nao são 223 (expansão de quase 88%).
A técnica envolve a aplicação, dentro do imóvel (no pátio, por exemplo), de um inseticida com poder residual de aproximadamente quatro meses. Somente locais preferenciais de repouso do mosquito recebem o produto.
Condições climáticas
O inverno de 2025 foi mais rigoroso que em 2022, 2023 e 2024. Além disso, a primavera passada foi mais seca. Somados, tais fatores contribuíram de forma decisiva para reduzir a disponibilidade de criadouros no início do verão de 2026. Apesar desse cenário favorável, o monitoramento continua essencial.
Projeções meteorológicas nacionais indicam impacto climático do fenômeno “El Niño” no próximo semestre, com possibilidade de temperaturas e volumes de chuva acima da média, combinação que tende a favorecer a proliferação do mosquito e a transmissão da dengue em 2027.
Vacinação
Desde 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra dengue, o que também contribuiu para a redução de casos, ainda que de forma ainda mais limitada por uma logística que contempla apenas grupos populacionais específicos definidos pelo Ministério da Saúde: crianças e adolescentes dos 10 a 14 anos, faixa etária com elevado risco de hospitalizações pela doença.
A imunização inicialmente focava apenas áreas prioritárias, mas desde fevereiro deste ano foi estendida a todos os municípios. O fármaco adotado é o Qdenga, produzido pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma, mas em paralelo o Ministério da Saúde já introduz a Butantan-DV, 100% nacional e primeira de dose única no mundo.
Os primeiros lotes já começaram a ser distribuídos no Rio Grande do Sul, primeiramente destinados aos trabalhadores de equipes de atenção primária à saúde no âmbito do SUS. A imunização do público em geral será feita de forma gradual, conforme a disponibilidade do produto, em ordem decrescente dos 59 aos 15 anos de idade.
(Marcello Campos)
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