Sábado, 07 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 6 de março de 2026
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chegou a Brasília na tarde desta sexta-feira (6) para ser transferido à Penitenciária Federal, presídio de segurança máxima. Vorcaro foi preso na quarta-feira (4), e estava custodiado na Penitenciária estadual de Potim, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Ele foi transferido para a capital federal em um avião da Polícia Federal (PF), que pousou no Aeroporto Internacional de Brasília por volta das 15h30.
Na noite de quinta-feira (5), o ministro André Mendonça, doSupremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que o empresário fosse transferido para a Penitenciária Federal em Brasília, atendendo a um pedido da PF – que apontou riscos à segurança pública e à condução das investigações caso ele permanecesse no presídio estadual.
Segundo a PF, Vorcaro possui “significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado”, o que poderia interferir no andamento das apurações ou no cumprimento de decisões judiciais.
No pedido encaminhado ao STF, a polícia argumentou que a transferência para o sistema penitenciário federal é necessária para garantir a efetividade da prisão preventiva, mitigar riscos institucionais associados à elevada sensibilidade da investigação e preservar a integridade física do próprio preso.
“A Penitenciária Federal em Brasília apresenta condições institucionais que permitem monitoramento mais próximo da execução da custódia, considerando a localização da unidade em relação aos órgãos responsáveis pela condução da investigação e pela supervisão judicial das medidas cautelares adotadas no âmbito desse Supremo Tribunal Federal”, argumentou a corporação.
A PF prendeu Vorcaro nessa quarta na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco. Foi a primeira ação autorizada por Mendonça depois que assumiu a relatoria do caso na Corte.
Diálogos
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatava em conversas por aplicativo com a namorada, Martha Graeff, o avanço das investigações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) sobre o Master. Nos diálogos, sinalizava ter apoio de pessoas importantes em Brasília para continuar agindo. “Me derrubar, só matando. E isso eles não têm coragem”, disse o banqueiro, rindo, em um dos diálogos.
Os diálogos foram interceptados pela Polícia Federal (PF) a partir da quebra de sigilo telemático de Vorcaro. O material foi compartilhado com a CPI do INSS. Em 16 de julho de 2025, quatro meses antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez e o Master ser liquidado, o empresário disse à namorada: “Pancadaria, mas vivo. Eu sou guerrilheiro. Me derrubar só matando. E isso eles não têm coragem rs.”. Graeff, então, repreendeu o companheiro: “Não fala algo assim. Muito pesado”.
Em diversas mensagens com a namorada, Vorcaro usava termos como “guerra” e “pancadaria” para se referir a seu trabalho. “Turma Brasília se mobilizando demais. Todo mundo do meu lado e com raiva do movimento de notícias”, disse em abril de 2025. No mesmo mês, também disse ser “o tema mais comentado do Brasil hoje”.
A mensagem reforça a proximidade de Vorcaro com autoridades, em vários ambientes de poder na capital federal. Em outros diálogos com a companheira, o banqueiro relatou uma reunião em que pessoas de nome “Hugo” e “Ciro” se encontraram em sua casa para conversar com um homem de nome “Alexandre”.
Em mensagens trocadas anteriormente com a companheira, Vorcaro relatou, por exemplo, outros encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O banqueiro ainda contou à namorada que se reuniu com o presidente Lula (PT) no Palácio do Planalto em dezembro de 2024. “Foi ótimo”, disse Vorcaro.
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