Quinta-feira, 25 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 19 de junho de 2026
O Senado não tem regras para devolução de dinheiro repassado aos parlamentares para custear viagens oficiais em caso de despesas não realizadas.
Ao explicar os US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais) em espécie encontrados pela Polícia Federal em sua residência em nova fase do caso Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que os valores são sobras de diárias recebidas por missões oficiais.
“Não há disposição normativa sobre a devolução de valor não utilizado de diárias”, afirmou o Senado à Folha de S.Paulo.
A única hipótese de devolução prevista no regramento é em caso de cancelamento ou retorno antecipado de viagem prevista. Nesse caso, a devolução do valor extra é obrigatória.
O Senado também afirmou que o pagamento pode ser feito em espécie, a critério do beneficiário.
“Os valores são disponibilizados ao beneficiário mediante ordem bancária (OB), com repasse ao Banco do Brasil, responsável por efetuar o crédito em conta ou, a critério do interessado, o pagamento em espécie”, disse o Senado, em resposta a questionamentos da reportagem.
As diárias têm como objetivo cobrir custos com deslocamento para fora de Brasília ou estado de origem do parlamentar, como hospedagem, alimentação e locomoção. Como não há regra sobre devolução, os congressistas podem ficar com o que sobra.
O regramento diz que a verba tem caráter indenizatório. Dessa forma, não há cobrança de Imposto de Renda.
Em 2026, o valor da diária é de US$ 656,46 para senadores em missão oficial a países fora da América do Sul – o valor equivale a R$ 3.388 na cotação atual, com o dólar a R$ 5,16. Em viagens a outros países, o valor pago é de US$ 557,03, o equivalente a R$ 2.875.
Já em missões domésticas, são pagos R$ 916,80 para viagens a cidades grandes e R$ 726,83 a municípios com até 200 mil habitantes. Os valores são ajustados anualmente.
Além de senadores, outros servidores recebem diárias, mas o pagamento varia de acordo com o cargo. Considerando-se apenas os gastos em viagens internacionais e excetuadas as missões de proteção a autoridades, o Senado pagou, entre janeiro e 18 de junho deste ano, mais de R$ 1 milhão em diárias para senadores e servidores.
Segundo levantamento da Folha no portal da transparência da Casa, Jaques Wagner recebeu R$ 336,9 mil em diárias desde o início do mandato, em 2019, valor menor que o encontrado em endereços ligados ao parlamentar. O líder do governo no Senado afirma que a diferença se deve ao fato de ele ter comprado parte do dinheiro por conta própria.
No histórico de Jaques Wagner, há uma viagem à China em maio deste ano. Ele recebeu R$ 15 mil por nove meias diárias para uma visita técnica à fábrica da BYD na cidade de Shenzen. Em julho de 2025, foram quase R$ 25 mil por sete diárias em Washington (EUA), para interlocução sobre relações bilaterais.
O senador fez 30 viagens em missão oficial para o exterior durante o mandato. Visitou países como Japão, Portugal, Emirados Árabes Unidos e Egito.
A PF apura suspeitas de que ele tenha recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao “núcleo familiar” de Jaques Wagner, o que segundo o ministro André Mendonça, relator do caso, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.
Augusto Lima foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de fraudes em carteiras de créditos que o Master vendeu ao BRB (Banco Regional de Brasília).
O senador afirmou à Band News TV que nunca recebeu dinheiro do Banco Master, mas admitiu ter pedido para Augusto Lima comprar um apartamento, sob a condição de que ele recompraria o imóvel posteriormente.
“Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘você pode comprar? Depois eu vou recomprar’ porque o apartamento está em construção. E eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar”, afirmou o parlamentar.
Conforme a Folha, o gasto do Senado com diárias para policiais legislativos que fazem a escolta de senadores em viagens saltou de R$ 1,1 milhão para R$ 1,8 milhão nos primeiros cinco meses do ano. O principal motivo é o aumento de viagens durante o ano eleitoral, como as de Flávio Bolsonaro (PL) para angariar apoio no exterior. (Com informações da Folha de S.Paulo)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.