Segunda-feira, 22 de julho de 2024

Segunda-feira, 22 de julho de 2024

Voltar Brasil registrou 167 quedas de helicópteros nos últimos dez anos; fator humano é principal causa de 47% dos acidentes

Três ocorrências envolvendo helicópteros chamaram a atenção ao longo dessa semana. Dois deles caíram (um no interior do Maranhão e outro no interior de Minas), enquanto o terceiro continua sendo procurado pela Força Aérea Brasileira (FAB), após desaparecer na véspera de ano-novo. No total, duas pessoas morreram, três ficaram feridas e quatro estão desaparecidas. A recorrência despertou a preocupação de passageiros e profissionais do setor. Mas os casos realmente estão ficando mais comuns?

Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da FAB apontam o registro, em 2023, de 15 acidentes de helicóptero, com dez mortes. O número é menor dos que os 20 acidentes de 2022, que também somaram dez mortes. Nos últimos dez anos, foram 167 ocorrências, com 136 óbitos. A tendência, avalia o setor, é de queda nos casos graves. Entre 2014 e 2016, a média de acidentes ficou em 19 registros, enquanto o número foi de 16 para os últimos três anos. Quando a conta analisa o número de óbitos, a comparação mostra queda de 18 mortes anuais no primeiro período para 13, no mais recente.

Com a maior frota de aviões e helicópteros do País, o Estado de São Paulo lidera o ranking de acidentes, com 343 ocorrências, das quais 43 envolveram helicópteros. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 186 acidentes, Rio Grande do Sul (166), Minas Gerais (147) e Pará (135).

A Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe) disse que a ocorrência de três acidentes em curto prazo de tempo é atípica, já que os registros estão em queda nos últimos anos. Conforme a Abraphe, seu levantamento mais recente indica uma frota de 1.315 helicópteros não militares aptos a voar no Brasil. São Paulo é o Estado com o maior número desses aparelhos registrados, seguido de Rio e Minas. São mais de 4.500 operações diárias com helicópteros no Brasil. A cidade de São Paulo está entre as de maior número de operações com helicópteros no mundo, com cerca de 1.300 pousos e decolagens por dia.

O Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer), do Cenipa, aponta o “desempenho técnico do ser humano” como causa de 47,7% dos acidentes com helicópteros, sendo que a perda de controle do aparelho em voo responde por 30% das ocorrências. A análise destaca falhas no julgamento do piloto e na manutenção da aeronave, além de erro na aplicação de comandos.

Táxi-aéreo clandestino

A Associação Brasileira de Empresas de Táxi Aéreo (Abtaer) alertou para a proliferação de táxis-aéreos clandestinos, o que aumenta o risco de acidentes. A prática inclui a realização de voos fretados sem a homologação da Anac. Em uma empresa de táxi-aéreo regular e homologada, a manutenção das aeronaves é feita em conformidade com as diretrizes da autoridade aeroportuária e submetida a verificações, o que não acontece com os clandestinos.

A Anac ainda orienta os usuários de táxi-aéreo para que, antes de contratar o voo de avião ou helicóptero, busquem informações sobre a empresa pelo aplicativo “Voe Seguro”. Segundo a agência, empresas autorizadas devem utilizar aeronaves adequadas para a prestação do serviço e devem estar registradas como táxi-aéreo. O avião ou helicóptero deve estar com documentação regular e com a manutenção em dia.

Ainda segundo a Anac, o piloto deve ter licença de piloto comercial ou piloto de linha aérea, estar com certificado médico válido e com as habilitações regulares. As multas aplicadas por desrespeito a essas normas foram aumentadas recentemente. Para o táxi-aéreo clandestino, o valor varia de R$ 12 mil a R$ 200 mil. Já para a prática e manutenção clandestina, a multa vai de R$ 15 mil a R$ 150 mil.

Casos recentes

Além do caso em Ilhabela, ocorreram dois acidentes nesta semana. Na terça-feira, um Colibri EC120 caiu no Lago de Furnas, em Capitólio, Minas. Três tripulantes foram resgatados com ferimentos e um quarto ocupante, Vanilton Alves Balieiro, de 44 anos, morreu. No mesmo dia, um Robinson 44 caiu em uma fazenda, em Santa Luzia, Maranhão, causando a morte do piloto José Rondinelle Rodrigues, de 43 anos.

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