Quinta-feira, 19 de março de 2026

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Voltar Brasil registra menor taxa de mortalidade infantil em 34 anos

O País atingiu, em 2024, a menor taxa de mortalidade infantil dos últimos 34 anos. Em 1990, a cada 1.000 crianças nascidas, 25 morriam antes de completar 28 dias de vida. Em 2024, o número caiu para sete mortos para cada 1.000 nascidos vivos. O mesmo aconteceu no grupo de crianças de 1 a 59 meses, ou seja, até cinco anos. Em 1990, 38 a cada 1.000 não chegavam ao quinto aniversário. Em 2024, a taxa caiu para 7 a cada 1.000.

Os dados fazem parte do relatório Níveis e Tendências na Mortalidade Infantil, produzido pelo Grupo Interagencial das Nações Unidas para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), divulgados nesta terça-feira (17). Apesar da queda, os dados mostram que o ritmo de redução dessas mortes perdeu força nos últimos anos. Entre 2000 e 2009, a mortalidade de crianças de até cinco anos no Brasil caía, em média, 6,33% ao ano. Já entre 2010 e 2024, esse ritmo diminuiu para 1,92% ao ano.

A mesma tendência de desaceleração foi observada na América Latina, onde a redução passou de 4,48% para 2,79% ao ano, e no mundo, de 4,12% para 2,16% ao ano.

“Nenhuma criança deveria morrer de doenças que sabemos como prevenir. Mas vemos sinais preocupantes de que esse progresso está desacelerando e num momento em que estamos vendo cortes adicionais no orçamento global”, diz Catherine Russell, diretora executiva do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Para o pesquisador Cristiano Boccolini, co-coordenador do Observatório de Saúde na Infância da Fiocruz, a queda da taxa de mortalidade infantil está diretamente ligada à retomada de políticas públicas essenciais, como o aumento da cobertura vacinal e o fortalecimento da atenção básica. Já a desaceleração do ritmo de queda da taxa está relacionada a uma espécie de “saturação” do modelo atual.

“O Brasil já avançou bastante com estratégias como a ampliação da atenção básica e a expansão de serviços de urgência e pronto atendimento, inclusive em regiões mais afastadas. Agora, para continuar reduzindo as mortes, será necessário investir ainda mais na qualidade do pré-natal e ampliar o número de profissionais de saúde”, diz.

Hoje, segundo Boccolini, cerca de dois terços da população dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde), o que pressiona o sistema e evidencia a necessidade de expansão e qualificação dos serviços. O pesquisador afirma que desigualdades regionais seguem como um dos principais desafios.

“Apesar da redução das diferenças ao longo do tempo, Norte e Nordeste ainda apresentam indicadores piores, com dificuldades de acesso aos serviços de saúde e menor cobertura de atenção primária”, afirma.

Fatores estruturais como pobreza, insegurança alimentar e dificuldades de deslocamento —especialmente na região amazônica— continuam impactando os indicadores. “Há populações que precisam viajar horas ou dias para conseguir atendimento, o que se reflete diretamente na mortalidade infantil”, diz.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o resultado “é uma vitória do SUS, um verdadeiro Oscar para a saúde brasileira”. Padilha afirma que o país precisa dar um novo salto na forma de enfrentar a mortalidade infantil, especialmente nos casos mais complexos e nas regiões mais vulneráveis.

“Quando você reduz a mortalidade infantil para níveis de um dígito, passa a enfrentar causas mais complexas, como doenças congênitas e complicações nos primeiros dias de vida”, diz.

Padilha diz que é necessário fortalecer a atenção ao pré-natal e ao parto, pontos também apontados por Boccolini como centrais. Entre as medidas, segundo o ministro, sua pasta, tem investido na qualificação de maternidades de maior risco, com ampliação de leitos de UTI neonatal e melhor estrutura para atendimento de gestantes e recém-nascidos. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

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