Terça-feira, 18 de agosto de 2026

Terça-feira, 18 de agosto de 2026

Voltar Brasil pode dobrar exportações de pet food e disputar liderança sul-americana

O Brasil está prestes a viver uma transformação no mercado de alimentos para cães e gatos. Segundo projeções apresentadas no Petfood Forum Brasil, realizado dentro da PET South America, as exportações nacionais podem dobrar nos próximos cinco anos, alcançando 200 mil toneladas anuais. Atualmente, o país exporta cerca de 100 mil toneladas por ano, mas a força da cadeia produtiva e o avanço tecnológico da indústria colocam o Brasil em posição de disputar a liderança sul-americana.

Estrutura produtiva robusta

De acordo com o consultor de mercado Ivan Franco, fundador da Triplethree International Market Research, “quando as empresas investem em fábricas, elas não apostam apenas em uma tendência, e sim em uma mudança estrutural”. O especialista destaca que a indústria brasileira tem baixa dependência de matéria-prima importada, o que amplia a competitividade internacional.

O país já é o segundo maior produtor mundial de pet food e conta com uma das maiores populações de animais de estimação do planeta — mais de 166 milhões de pets. Essa base garante escala e sustentação para o crescimento externo.

Desafios e oportunidades

Apesar do potencial, a carga tributária elevada continua sendo um entrave. Em alguns casos, os impostos sobre pet food no Brasil chegam a 51%, contra 8–10% nos Estados Unidos e 15–18% na União Europeia. Essa diferença limita a expansão mais acelerada tanto no mercado interno quanto no externo.

Ainda assim, há espaço para crescimento em segmentos como alimentos naturais, úmidos, snacks e suplementos. A Adimax, fabricante brasileira, já percebeu essa tendência. Para o diretor comercial Philip So, “desde o ano passado, 100% dos produtos da linha Fórmula Natural são feitos com conservação natural e sem transgênicos, e não apenas a linha super premium da marca”. A empresa também desenvolve itens mais acessíveis, mantendo características valorizadas pelos tutores.

No mercado de suplementos, a Buddy Nutrition aposta em fórmulas mastigáveis e petiscos nutricionais multifuncionais. “Trocamos os suplementos em comprimidos por formatos mastigáveis e petiscos nutricionais com ingredientes de verdade”, afirma o diretor comercial Bruno Menin. Segundo ele, os produtos alcançaram 98% de aceitação entre os cães.

Perspectiva internacional

O Brasil já exporta para países como Chile, Colômbia e Uruguai, e recentemente abriu mercados como Índia, Canadá e Malásia. A diversificação geográfica é estratégica para consolidar a posição do país como fornecedor global.

Para especialistas, o caminho rumo à liderança sul-americana passa por:

  • Redução da carga tributária e do “Custo Brasil”.
  • Ampliação de acordos comerciais e acesso a novos mercados.
  • Investimento contínuo em inovação e diversificação de produtos.
  • Promoção internacional coordenada, como nos programas da ApexBrasil.

Com uma indústria sólida, tecnologia avançada e consumidores cada vez mais exigentes, o Brasil tem condições de se tornar protagonista global no setor de pet food. A combinação de escala produtiva, inovação e novos perfis de consumo pode transformar o país em líder sul-americano e referência mundial na nutrição animal. (Por Gisele Flores -gisele@pampa.com.br)

 

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