Quarta-feira, 18 de maio de 2022

Quarta-feira, 18 de maio de 2022

Voltar Bilionários russos gastam até meio milhão de dólares em combustível para fugir de sanções

Antes do megaiate Amadea, avaliado em US$ 325 milhões, ser empurrado para uma disputa legal no Pacífico Sul, o navio de luxo que o governo dos EUA afirma pertencer ao bilionário russo Suleiman Kerimov embarcou em uma viagem de 18 dias do Caribe para Fiji, provavelmente gastando cerca de US$ 500 mil com combustível.

Há especulações de que o superiate estava a caminho do porto russo de Vladivostok antes que as autoridades de Fiji o apreendessem a pedido de autoridades americanas. A corrida pelos oceanos não foi isolada: desde que o governo americano e seus aliados passaram a punir centenas de oligarcas e magnatas próximos ao presidente Vladimir Putin, por conta da invasão da Ucrânia pela Rússia, bilionários russos levassem seus iates para regiões não tão propensas a imposição ou aplicação de sanções.

Vários governos foram atrás de vilas, aviões e megaiates dos magnatas – apreendendo mais de uma dúzia de megaiates multimilionários até agora.

Junto com a Spire Global Inc., empresa de análise que usa nanossatélites para coletar dados, a emissora Bloomberg rastreou quais foram as viagens mais longas feitas por iates ligados a magnatas russos em listas de sanções.

Amadea

De acordo com o levantamento, desde a invasão da Ucrânia, o megaiate Amadea foi o que realizou a viagem mais longa: percorreu mais de 15 mil quilômetros, quase metade da distância percorrida ao longo de todo o ano passado.

Outros cinco superiates registraram viagens de cerca de 9,26 mil quilômetros em busca dos destinos considerados seguros de apreensões, incluindo Turquia e Rússia.

“Nos últimos meses, vimos os iates de oligarcas russos viajarem para lugares que historicamente não iam e traçar mais milhas do que normalmente fazem”, disse Simão Oliveira, desenvolvedor de aplicativos e web da Spire que elaborou o rastreador de iates.

O megaiate Amadea, que possui um heliponto, piscina com mosaico e um tanque de lagostas, estava ancorado na ilha caribenha de Sint Maarten desde o Natal e ainda estava lá quando a Rússia começou seu conflito armado na Ucrânia.

Em 12 de março, o iate passou pelo Canal do Panamá. De lá, seguiu para noroeste até o México, onde chegou ao porto de Manzanillo, na costa oeste do país, em 24 de março. Ancorou lá por menos de 24 horas – tão breve que provavelmente foi uma parada de abastecimento, disse Sam Tucker, chefe de superiates da VesselsValue, provedor de dados marítimos.

O Amadea, de 348 pés de comprimento, seguiu direto para Fiji a uma velocidade de cruzeiro de 20,9 quilômetros por hora e chegou ao porto de Lautoka em 12 de abril, aparentemente sem as licenças necessárias. Uma semana depois, Fiji ganhou uma ordem judicial para impedir que o navio partisse depois de receber um pedido de assistência jurídica mútua dos EUA.

Na mira

O Supremo Tribunal de Fiji deu sinal verde para as autoridades norte-americanas e locais tomarem o Amadea. O advogado que representa o proprietário registrado do navio, da Millemarin Investments Ltd., perdeu um recurso para suspender a ordem judicial, e diz que o navio é de propriedade de outro magnata russo – não do bilionário do ouro Suleiman Kerimov, como alega o governo dos EUA.

Kerimov, dono de uma fortuna avaliada em US$ 15,8 bilhões sofreu sanções do Reino Unido e União Europeia em março por seus laços com Putin. Ele estava na lista de sanções dos EUA em 2018.

“Esses iates parecem estar procurando jurisdições confortáveis onde possam se esconder: Seychelles, Maldivas, Dubai, Fiji – esperando que estejam longe o suficiente do alcance das sanções”, disse Ian Ralby, executivo-chefe da IR Consilium, consultoria em segurança marítima.

“Em alguns casos, eles estão descobrindo, quando chegam lá, que estavam enganados ao pensar que esses países estariam a bordo deixando um iate russo despreocupado. Eles estão descobrindo que realmente não há um porto seguro confortável para eles.”

A busca do Amadea por lugares seguros é cara. O navio com bandeira das Ilhas Cayman pode navegar cerca de 18.520 quilômetros com um tanque cheio – o suficiente para sua viagem relâmpago do Caribe a Fiji, disse Denis Suka, um influenciador de iates conhecido como Yacht Mogul que freta e ajuda a vender navios para clientes.

O iate pode transportar 392 mil litros (ou 104 mil galões) de combustível, e um tanque cheio custaria ao proprietário russo cerca de US$ 530.000 aos preços atuais do diesel na Europa, segundo Suka.

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