Segunda-feira, 13 de abril de 2026

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Voltar Banco Master repassou ao Banco de Brasília crédito que não existia mais

O Banco Master transferiu ao Banco de Brasília (BRB) um crédito hoje avaliado em R$ 559,1 milhões que a empresa tomadora alega já ter pago. Agora, o frigorífico RKO Alimentos tenta provar na Justiça que a operação já havia sido desfeita quando a instituição financeira de Daniel Vorcaro cedeu o ativo ao banco do Distrito Federal – e que, portanto, a dívida não existe mais.

O crédito original da RKO com o Master foi de R$ 407,664 milhões, assinado em dezembro de 2023, com prazo de 51 meses e início dos pagamentos só em fevereiro deste ano. Segundo o portal Valor apurou, o combinado era que a empresa pegasse o dinheiro e investisse em um fundo administrado pela Reag, podendo sacar os recursos quando encontrasse alguma oportunidade de negócio. Entretanto, após algumas tentativas de utilizar o dinheiro – que eram negadas pelos gestores do fundo – a RKO decidiu quitar o empréstimo com o Master atecipadamente.

O  portal Valor teve acesso a uma notificação enviada pela RKO ao Master em 30 de junho de 2025, em que ela manifesta a intenção de quitar o empréstimo até 30 de setembro daquele ano, mediante dação em pagamento de cotas do fundo Titânia (onde havia sido obrigada a aplicar o dinheiro). “A antecipação da quitação se dá em razão da necessidade de baixa das informações relativas ao endividamento da RKO Alimentos junto ao Banco Central de forma a lhe garantir que seja possível a aquisição de novas linhas de crédito junto a outras instituições financeiras, para que assim seja possível fomentar suas atividades empresariais”, diz o documento.

Só que o BRB recebeu esse mesmo crédito também em setembro de 2025. O crédito já estava, então, em R$ 559,1 milhões, mas o banco aceitou o ativo com deságio de 42%, ou seja, contabilizou-o no balanço por R$ 324,3 milhões. Fontes próximas à antiga gestão do banco dizem que foram feitas diligências que comprovariam a existência do empréstimo.

Para tentar fazer valer o que acredita ser seu direito, o BRB ajuizou um processo de “ação de exibição de documentos” contra a RKO na 19ª Vara Cível de Brasília no mês passado. Procurado, o banco não quis se manifestar. Já a defesa de Vorcaro disse que o assunto deveria ser tratado com o liquidante do Master, que não respondeu aos pedidos da reportagem. O liquidante da Reag também não se manifestou.

Por meio de sua assessoria, a RKO afirma que o Master cedeu ao BRB uma dívida já quitada e diz que os documentos de que dispõe neste momento sobre a operação constam do processo que a empresa move contra o BRB na Justiça. A empresa foi criada em 2014 por Rodrigo Kalinovski de Oliveira e diz em seu site ser referência em carnes, embutidos, produtos de higiene, limpeza e cosméticos. Realiza mais de 18 mil abates por mês e afirma ter faturamento anual de mais de R$ 1 bilhão.

Além do processo do BRB, a própria RKO iniciou uma “ação de produção antecipada” de provas na 2ª Vara Cível da Comarca de Barueri (SP). Na sua petição, a companhia afirma que é empresa sólida, de atuação consolidada e amplamente reconhecida no setor agroindustrial. Ela diz que foi abordada pela Reag em 2022 e, por seu intermédio, acabou emitindo a cédula de crédito bancário (CCB) com o Master. E conta que fez a requisição de quitação antecipada em junho do ano passado.

“A despeito do prévio exercício da opção, a RKO foi surpreendida por contatos do BRB, por meio de mensagens eletrônicas, informando que o banco seria suposto cessionário da CCB em razão de alegada aquisição de crédito junto ao Banco Master e que a RKO seria supostamente devedora de cerca de R$ 600 milhões. […] Diante do despropósito da narrativa, a RKO, em mais de uma ocasião, esclareceu que não tem, há muito tempo, qualquer obrigação ativa perante o Master, porquanto havia honrado integralmente todos os compromissos assumidos, sendo que o BRB jamais demonstrou o contexto em que se deu a pretensa aquisição do crédito contra a RKO.”

A RKO diz ainda que, mesmo com todo o contexto das operações policiais Carbono Oculto e Compliance Zero, que investigam possíveis esquemas de fraudes na Reag e Master, o BRB não teria feito uma diligência adequada ao comprar o suposto crédito do banco de Vorcaro. Com informações do portal Valor Econômico.

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