Sábado, 04 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 3 de abril de 2026
As negociações de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a concretização da delação premiada enfrentam pelo menos três obstáculos: o tempo de prisão que ele terá de cumprir, o valor total do ressarcimento e a inclusão de informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro demonstra resistência a admitir a prática de crimes e assumir o papel de “delator”, o que seria essencial para o avanço da colaboração premiada.
Essa resistência é considerada natural por advogados e investigadores em um processo desse tipo, mas pode travar a construção do acordo. Vorcaro tem recebido diariamente advogados para definir os temas que serão abordados na delação, o que pode durar até 45 dias. A partir daí, a defesa começará a negociar a pena e as condições do acordo. O banqueiro indicou que não quer cumprir prisão em regime fechado.
Ele foi preso por ordem do ministro André Mendonça no dia 4 de março e colocado em um presídio federal, de segurança máxima. Após o STF negar o pedido de revogação da prisão, Vorcaro deu início à negociação de um acordo de colaboração premiada e assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. Graças a isso, conseguiu ser transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está ocupando uma sala de Estado-Maior que havia sido preparada para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A partir disso, Vorcaro tem recebido diariamente os advogados José Luís de Oliveira Lima e Sérgio Leonardo para traçar os assuntos que serão abordados na sua delação premiada. Esse conteúdo está sendo construído a partir da memória dele, de documentos levantados pela defesa e do conteúdo do espelhamento do celular do banqueiro cuja cópia foi fornecida aos advogados pela PF.
Esses assuntos, porém, já têm sido debatidos com o banqueiro. Vorcaro sinalizou a interlocutores, por exemplo, que não aceitaria cumprir algum tempo de prisão após a assinatura do seu acordo de delação. Mas essa hipótese é considerada praticamente certa pelos investigadores – pelo tamanho dos crimes financeiros cometidos, o banqueiro deve ter de ficar algum tempo atrás das grades, mesmo que seja em uma instituição mais branda, como a superintendência da PF.
A própria legislação da colaboração premiada é um empecilho para esse desejo. De acordo com a lei, o líder de uma organização criminosa pode assinar um acordo de delação, mas não pode receber o benefício do perdão judicial.
Os interlocutores de Vorcaro também demonstram preocupação com as exigências que os investigadores vão apresentar para o ressarcimento dos crimes financeiros.
Nas delações premiadas feitas na Operação Lava Jato, as empresas arcaram com a maior parte dos custos das multas e do ressarcimento. Um dos maiores foi o acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões do grupo J&F (que depois conseguiu reduzir essa cifra por decisão do ministro do STF Dias Toffoli).
Como o Banco Master foi liquidado, Vorcaro teria de bancar o ressarcimento com seu patrimônio pessoal. O receio de pessoas ligadas a ele é de que os investigadores coloquem na mesa valores bilionários de ressarcimento e solicitem que ele abra mão de todo o seu patrimônio – os interlocutores afirmam que, inclusive, boa parte do dinheiro desviado já foi gasta por Vorcaro, o que tornaria impossível devolver tudo que foi obtido com as ações irregulares do Master. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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