Quinta-feira, 26 de maio de 2022

Quinta-feira, 26 de maio de 2022

Voltar Banco Central traz pouca sinalização sobre passos futuros da taxa básica de juros

A ata do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC) divulgada nesta terça-feira (10), trouxe muita informação, mas pouca sinalização. O BC se concentrou em fazer uma grande atualização sobre a conjuntura atual, em particular no cenário internacional, e da inflação corrente, mas não deu pistas – tão esperadas – sobre o futuro da Selic (a taxa básica de juros). Na semana passada, o Copom elevou a Selic em 1 ponto porcentual, de 11,75% para 12,75% ao ano.

Depois de tanto se amarrar – e ser atropelado pela realidade -, parece que o BC quis deixar a comunicação bem frouxa, limitando-se a sinalizar como “provável” novo aumento de juros, ainda que de menor magnitude, na próxima reunião, em junho.

O Copom gastou apenas três parágrafos, dos 20 da ata, para falar sobre o futuro da política monetária, sendo que dois deles já estavam presentes no comunicado. “O Comitê optou, então, por sinalizar, como provável, uma extensão do ciclo, com um ajuste de menor magnitude na próxima reunião”, disse, no único trecho novo sobre os “próximos passos”.

Segundo o BC, essa estratégia foi considerada a mais adequada para garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante e ancoragem das expectativas de prazos mais longos.

O colegiado repetiu que o ciclo já foi bastante prolongado e que seus efeitos sobre a inflação ainda serão sentidos, além de avisar que já vai dar um tombo na economia. O BC voltou a mencionar também que a estratégia reforça a cautela da política monetária e a incerteza do cenário.

O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

Em relação ao cenário atual, o BC pareceu bem preocupado com a conjuntura internacional, particularmente com pressões inflacionárias mais persistentes. Diante desse quadro, o colegiado indicou temer efeitos da alta de juros em países avançados sobre emergentes e também sobre a desaceleração da atividade global.

O comitê reconheceu que a inflação segue “elevada, disseminada e mais persistente”, com destaque para alta da gasolina, mas também de componentes de preços mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária. Mas gastou um parágrafo para tentar explicar as diferenças entre as suas projeções e as expectativas de inflação do mercado financeiro, recorrentemente mais elevadas para 2022, já muito fora do teto da meta, e para 2023, cada vez mais longe do alvo central.

O BC projeta alta de 7,3% para o IPCA – índice de inflação oficial – de 2022, contra 7,9% do Boletim Focus anterior ao Copom. Para 2023, foco da política monetária, o colegiado estima 3,4%, contra 4,1% da Focus.

Houve espaço também para o BC fazer um novo alerta mais direto sobre os riscos fiscais: “O Comitê enfatizou que o nível de aperto monetário apropriado é também condicional ao arcabouço fiscal vigente”.

Na primeira reunião da nova “cabeça do Copom”, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, o colegiado também mudou a estrutura na comunicação. Dessa vez, o colegiado preferiu ser mais enxuto no comunicado do dia da reunião ao fazer avaliações sobre a inflação corrente, a evolução da atividade e o cenário externo. O BC deixou um detalhamento maior para a parte inicial da ata, que normalmente apenas repetia a publicação da semana anterior.

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