Quarta-feira, 18 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 18 de março de 2026
O Fed (Federal Reserve), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (18), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.
Foi a segunda reunião consecutiva em que o banco central americano manteve a taxa no mesmo nível. Em 28 de janeiro, o Fed interrompeu um ciclo de três cortes seguidos, citando incertezas nas perspectivas econômicas.
A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
A decisão desta quarta-feira foi a décima desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, houve três cortes de juros, em meio a um cenário econômico incerto, com conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) informou, em comunicado, que a atividade econômica dos EUA têm se expandido em um ritmo sólido, enquanto a criação de empregos permaneceu baixa e a taxa de desemprego teve poucas mudanças nos últimos meses.
O colegiado também destacou que a inflação continua “um pouco elevada” e citou incertezas em relação à economia, de olho na guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, que teve início em 28 de fevereiro.
“A incerteza sobre a perspectiva econômica continua elevada. As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas”, diz o texto.
“O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato [direcionado a estimular o emprego e controlar a inflação]”, acrescenta.
O Fomc afirmou ainda que “continuará monitorando as implicações das informações recebidas para a perspectiva econômica” e que está “preparado para ajustar a postura da política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam dificultar o alcance de seus objetivos”.
Impactos da guerra no Oriente Médio
Com o início da guerra, em 28 de fevereiro, o petróleo disparou no mercado internacional e chegou a atingir US$ 120, o maior valor desde 2022. Depois, recuou, mas segue na casa dos US$ 100, ainda em nível bastante elevado.
Trump passou, então, a buscar formas de conter a alta da commodity, atento ao impacto no bolso dos eleitores americanos e às eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.
Petróleo mais caro costuma significar gasolina e diesel mais caros — e, em efeito cascata, pressões sobre os preços de diversos produtos nos EUA. O cenário preocupa, em especial, o Fed, que tem mandato duplo: controlar a inflação e manter o mercado de trabalho aquecido.
Dados da associação automobilística AAA mostram que o preço da gasolina já subiu quase 25% desde que o republicano iniciou a guerra, atingindo o maior valor desde outubro de 2023.
O fator central da disparada dos preços é o bloqueio do Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial. A região — responsável também por cerca de um quinto do comércio global de gás natural (GNL) — registrou forte queda no tráfego de navios após o Irã anunciar o bloqueio e ataques a petroleiros.
O fluxo da commodity na região passou a preocupar Trump, que pediu apoio de outros países para monitorar e “cuidar” da passagem — solicitação rejeitada por seus aliados europeus e asiáticos.
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