Sábado, 07 de novembro de 2026

Sábado, 07 de novembro de 2026

Voltar Aumento do IOF reforça aposta em fim de ciclo de alta da taxa Selic

Ainda que os participantes do mercado tenham avaliado o recente anúncio do governo de aumentar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como algo negativo, o encarecimento no custo do crédito é observado por gestores como uma medida que pode contribuir para o trabalho do Banco Central de esfriar a atividade econômica e, assim, consolidar o movimento da queda nos juros no Brasil.

Nesse contexto, alguns investidores passaram a ver um espaço maior para apostar na queda das taxas futuras. Além disso, aumenta a possibilidade de o BC interromper o ciclo de alta de juros da Selic, hoje em 14,75%. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa nos últimos seis encontros, será em meados de junho.

O movimento de mercado na sexta-feira (23), quando foi confirmada a reversão parcial do aumento na alíquota do IOF, mas que manteve a cobrança maior sobre o mercado de crédito, corroborou a leitura. A despeito de as taxas de longo prazo terem encerrado o dia em leve alta — pressionadas pela impressão majoritária dos agentes de que os riscos fiscais cresceram após a nova investida do governo para ampliar a arrecadação —, os juros curtos fecharam em queda.

O movimento de mercado na sexta-feira, dia em que foi confirmada a reversão parcial do aumento na alíquota do IOF, mas que manteve a cobrança maior sobre o mercado de crédito, corroborou a leitura. A despeito de as taxas de longo prazo terem encerrado o dia em leve alta – pressionadas pela impressão majoritária dos agentes de que os riscos fiscais cresceram após a nova investida do governo para ampliar a arrecadação, os juros curtos fecharam em queda.

No fim do dia, a taxa do DI para janeiro de 2027 oscilou de 14,02% para 13,985% e, mesmo no auge do estresse da sessão, quando os juros de longo prazo chegaram a avançar 0,2 ponto, as taxas curtas se mantiveram relativamente comportadas. No mercado de opções digitais, a probabilidade de manutenção da Selic nos atuais 14,75% em junho subiu de 69% para 72%, enquanto a chance de uma alta de 0,25 ponto recuou de 24,5% para 22%.

Na visão do sócio e diretor de investimentos (CIO) da Legacy Capital, Felipe Guerra, haverá um impacto relevante sobre as empresas, que sofrerão um aperto de crédito importante, que pode ser equivalente a duas altas na taxa básica de juros.

“Acredito que, no câmbio, a intenção era, de fato, arrecadar, não a de fazer um controle de capitais. Foi em linha com a mentalidade de ‘Robin Hood’ do Ministério da Fazenda, só que de forma atabalhoada. E, do lado do crédito, fica um aperto importante sobre as empresas que irá afetar o setor varejista e as pequenas e médias empresas”, diz Guerra. Para ele, embora o governo tenha voltado atrás em parte das medidas, a condição de crédito mais apertada à frente ficou, o que pode contribuir para uma desaceleração adicional da economia.

Ao avaliarem os efeitos das medidas no mercado de crédito, os economistas Caio Megale e Rodolfo Margato, da XP, estimam o impacto como sendo equivalente a uma alta de 0,4 ponto percentual na taxa Selic no mercado de crédito como um todo.

E, embora ressaltem que o crédito não é o único canal de transmissão da política monetária, os economistas passaram a acreditar que o BC irá encerrar o ciclo de aperto monetário em junho. “Parece razoável dizer que o IOF mais alto substitui, em nosso cenário-base, o último aumento de 0,25 ponto que projetávamos para junho”, dizem Megale e Margato.

Na visão dos economistas, esse já parecia ser o plano central do BC, na medida em que o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, “tem concentrado seus discursos em sinalizar juros altos por um período prolongado, e não em discutir a necessidade de uma nova alta”. “Um risco para o cenário inflacionário seria uma desvalorização intensa do real em resposta às medidas, mas, até agora, o câmbio se manteve relativamente estável após a volatilidade inicial.”

Em condição de anonimato, o gestor de um grande fundo local revela que mantém apostas vendidas na bolsa. Segundo ele, a recente alta do Ibovespa, em meio aos juros que devem permanecer elevados até o fim do ano, já justificariam a aposta. “Mas o governo ainda vai lá e aumenta o custo financeiro das empresas por meio do IOF… Aumento de impostos diminui a produtividade, no fim das contas, não é bom para as empresas”, afirma o gestor, que também mantém posições na queda dos juros nominais e reais no Brasil.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Show Da Manhã