Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 30 de julho de 2026
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, trocou o chefe de sua equipe de comunicação e terá a campanha a cargo do marqueteiro Duda Lima, que trabalha para o PL nacional e foi responsável pelas campanhas de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 e de Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo em 2024.
Até agora, a pré-campanha estava a cargo dos marqueteiros Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari, que deixaram a equipe nessa quinta-feira (30) e que haviam assumido a função depois da crise do caso “Dark Horse”.
Segundo a Folha de S.Paulo, o contrato de Fischer e Oltramari, relativo à pré-campanha, terminou nessa quinta, e o PL definiu a substituição. Os publicitários tampouco queriam seguir na equipe, segundo auxiliares do senador.
“A campanha de Flávio Bolsonaro agradece e reconhece o excepcional trabalho desempenhado por Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. […] Desejamos a Oltramari e a Fischer que continuem colaborando para o aperfeiçoamento de nossa democracia, com toda a sua competência e profissionalismo”, diz uma nota publicada pelo coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).
A cúpula do PL tinha preferência por Duda, um homem de confiança do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, mas o publicitário vinha resistindo. A entrada do marqueteiro, portanto, atende ao comando do PL, que se sentia afastado do núcleo da campanha de Flávio.
Pesquisa Datafolha mostra um cenário de estabilidade desde o fim de maio, com vantagem para Lula (PT). Na última semana, o petista marcou 48% contra 43% de Flávio em um eventual segundo turno.
Fischer e Oltramari pretendiam priorizar a linha de Flávio moderado, com aceno ao eleitor de centro, que para eles seria a fatia capaz de decidir a eleição contra o atual presidente.
Entre aliados de Flávio, a troca foi vista como uma virada à direita para agradar ao bolsonarismo, já que Duda é tido como uma pessoa alinhada ao ex-presidente e sua família, tendo construído uma relação próxima de Bolsonaro na campanha de 2022.
Quem conhece Duda, no entanto, discorda dessa avaliação e diz que ele vai seguir a linha não radical, como fez em 2024 na campanha de Nunes, apesar da pressão para que o prefeito refletisse a ideologia bolsonarista.
Esta já é a segunda troca de marqueteiro na pré-campanha de Flávio, que acumula uma série de reveses — o principal deles foi a revelação da relação próxima do senador com o dono do Master, Daniel Vorcaro.
Mais recentemente, Flávio teve uma crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), seguida de uma reconciliação pelas redes sociais, e vive um isolamento em relação a partidos do centrão, que resistem a formar uma aliança com ele.
A convenção do PL que oficializou Flávio, no último sábado (25), também teve polêmicas, como um vídeo de Bolsonaro gerado por inteligência artificial (IA), que pode render punição da Justiça, e um discurso do presidente argentino, Javier Milei, que deu início a uma crise diplomática. Integrantes da equipe do senador, porém, negam que a troca tenha relação com a repercussão do evento.
Sob o comando de Fischer e Oltramari, a pré-campanha de Flávio vinha publicando vídeos de IA, como os que o senador aparece vestido de militar.
Nessa quinta, o PT levou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma representação que aponta Flávio e outros quatro políticos como amplificadores de posts de IA contra Lula.
Após a crise relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse” por Vorcaro, em maio, houve a primeira troca de comando na comunicação, com a saída do marqueteiro Marcello Lopes, amigo de Flávio e ex-policial.
Fischer, conhecido por campanhas como a da “Brahma número 1”, foi então contratado como consultor estratégico de comunicação, e a coordenação do marketing ficou a cargo de Oltramari, que é jornalista.
A entrada de Fischer, que estava afastado do mercado havia anos, foi controversa. Integrantes do PL queriam trazer um medalhão da publicidade para dar prestígio e credibilidade à pré-campanha, mas o empresário é alvo de críticas por falta de experiência no marketing político e dívidas de mais de R$ 100 milhões causadas pela derrocada de seus negócios.
Depois que Fischer foi anunciado pela assessoria de Flávio, o gabinete do senador recebeu intimações judiciais direcionadas ao publicitário em processos de execução movidos por credores. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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