Terça-feira, 07 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 7 de abril de 2026
Ainda é cedo para medir os impactos fiscais das medidas anunciadas para compensar a alta do petróleo, já que parte dos custos pode ser absorvida pelo aumento da arrecadação gerado pelo próprio encarecimento do produto. Ainda assim, economistas alertam para o risco de que as ações não sejam suficientes para conter a alta do diesel e criticam, em especial, os incentivos ao querosene de aviação (QAV).
Para Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, o pacote representa uma tentativa de microgerenciar a economia, com potencial de gerar distorções nos preços. Segundo ele, esse tipo de intervenção ocorre quando os valores deixam de refletir as condições reais de mercado, o que pode levar a decisões ineficientes e aumento de gastos públicos.
Barros destaca que havia receio de que o governo utilizasse receitas adicionais decorrentes da alta do petróleo para financiar medidas compensatórias. Pelas estimativas dele, cada aumento persistente de US$ 10 no preço do barril pode elevar a receita líquida em cerca de R$ 15 bilhões. Ainda assim, ele defende alternativas mais focalizadas, como transferências diretas a caminhoneiros, que teriam custo mais previsível e maior precisão no atendimento ao público afetado.
Na mesma linha, a criação de uma linha de crédito para empresas aéreas, com o objetivo de reduzir o repasse do aumento do QAV, é vista como desnecessária pelo economista, que interpreta a medida como um estímulo adicional em um contexto já pressionado.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o conjunto de ações voltadas ao diesel não cobre totalmente a defasagem entre os preços internos e externos. Nesse cenário, ele avalia que pode haver necessidade de reajustes por parte da Petrobras ou de ampliação dos subsídios.
Vale afirma que o governo busca evitar efeitos colaterais mais amplos, como paralisações no setor de transporte ou impactos na política monetária. Segundo ele, caso o cenário internacional permaneça pressionado, a tendência é de manutenção de preços elevados, o que pode exigir novos ajustes no mercado doméstico.
No caso do QAV, o economista observa que a Petrobras já repassou parte da alta internacional, enquanto o governo respondeu com medidas de crédito, consideradas por ele desalinhadas com as expectativas do mercado.
O economista-chefe do G5 Partners, Luis Otávio Leal, ressalta que a efetividade das medidas dependerá da reação do setor privado e da forma como o pacote será estruturado juridicamente. Ele observa que o impacto direto do diesel sobre a inflação é limitado, mas há efeitos indiretos relevantes, especialmente sobre os preços de alimentos, devido ao custo do transporte.
Do ponto de vista fiscal, Leal afirma que parte das medidas pode ser financiada pelo aumento de arrecadação decorrente da alta do petróleo. Segundo seus cálculos, cada US$ 1 de aumento no preço do barril gera cerca de R$ 2,3 bilhões adicionais em receitas, sendo R$ 1,1 bilhão para o governo federal e R$ 1,2 bilhão para Estados e municípios.
Já Felipe Salto, sócio da Warren Rena, avalia que a busca por neutralidade fiscal é um ponto positivo, ao tentar preservar a meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele, no entanto, alerta para o risco de complexidade na gestão das medidas, com dificuldades de estimar custos e compensações.
Por fim, o economista Marcos Mendes, do Insper, considera compreensível o esforço do governo para amenizar os efeitos do choque de preços dos combustíveis, especialmente em um contexto sensível. Ainda assim, ele questiona a eficácia de algumas iniciativas, como o apoio ao setor aéreo, ao avaliar que os custos podem ser repassados de forma desigual entre os contribuintes.
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