Quinta-feira, 19 de março de 2026

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Voltar Alvo da Polícia Federal, o Banco de Brasília assumiu gastos questionáveis para um banco estatal regional

Alvo de apuração da Polícia Federal (PF) por suposta gestão temerária relacionada à tentativa de aquisição do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) alterou sua política de investimentos nos últimos anos, durante a administração do governador Ibaneis Rocha (MDB). Tradicionalmente voltado à administração da folha de pagamento do funcionalismo público do Distrito Federal, o banco ampliou sua atuação territorial e diversificou operações consideradas incomuns para uma instituição financeira estatal de perfil regional.

Desde 2020, o BRB inaugurou 88 unidades distribuídas em sete Estados. A expansão incluiu agências, postos de atendimento e estruturas classificadas como unidades de relacionamento. Parte dessas instalações foi aberta em localidades onde a instituição passou a operar folhas salariais de órgãos vinculados aos três Poderes estaduais ou municipais, além de firmar acordos institucionais e assumir serviços relacionados a depósitos judiciais.

Os valores empregados na implantação e manutenção desses espaços não foram detalhados publicamente. O banco impôs sigilo às despesas, sob a justificativa de que se tratam de “informações de natureza estratégica, comercial e concorrencial”. A política de confidencialidade foi adotada em meio ao processo de crescimento fora do Distrito Federal.

Nos últimos cinco anos, a instituição passou a gerir contracheques de dois tribunais de Justiça, um governo estadual, quatro prefeituras e uma Câmara municipal. Entre os contratos firmados está o da prefeitura de João Pessoa (PB), situada a cerca de 2,2 mil quilômetros de Brasília. A presença em regiões distantes da capital federal marcou uma mudança relevante na estratégia operacional do banco.

A carteira de clientes inclui ainda o Tribunal de Justiça da Paraíba, o Tribunal de Justiça de Alagoas e o governo do Tocantins. Também constam na lista as administrações municipais de Conde (PB), com aproximadamente 30 mil habitantes, e de Porto Nacional (TO), cuja população gira em torno de 70 mil moradores. Em todos os casos, a atuação envolve processamento de pagamentos de servidores e serviços financeiros associados.

Além da gestão de salários, o banco estatal do governo do Distrito Federal passou a operar depósitos judiciais para tribunais estaduais do Maranhão, da Bahia e da Paraíba. Esse tipo de serviço envolve a administração de valores vinculados a processos judiciais, sob responsabilidade do Poder Judiciário local.

Outro acordo firmado foi com o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, sediado em Curitiba e responsável por julgar ações trabalhistas em todo o Estado do Paraná. O órgão celebrou um “convênio institucional” com o BRB, ampliando o alcance geográfico das operações da instituição financeira.

A investigação da PF ocorre paralelamente à análise sobre a condução administrativa do banco e à avaliação dos riscos assumidos em sua estratégia de expansão. (Com informações da Coluna do Estadão, do O Estado de S. Paulo)

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