Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Voltar Alguém sério

É possível, até provável, que muita gente aqui no Rio Grande do Sul não o conheça. É pernambucano, ao que eu sei, fazendo sua respeitável carreira política desde o momento em que sentiu que a casa do direito recifense era aquilo com que sonhara. Nosso herói fez com diligência e aproximando-se de um grupo que eram todos admiradores do então Senador Marco Maciel, mas aqueles capazes de aprofundar conhecimentos políticos e defendiam o que sempre fora o tema do padrinho do grupo. Havia uma consciência coincidente, posto que padrinho e afilhados coincidiam na defesa de uma linha política e ideológica do liberalismo social.

José Múcio, um nordestino recifense, seguindo sempre a sua rotina e companheiro na vida parlamentar, o vi chegar à capital nacional por méritos pessoais. Continuamos em solidariedade partidária no tempo em que nos transferimos para Brasília: eu, do Rio Grande; ele, de Pernambuco. Eu vinha da experiência de Secretário de Estado. Cheguei com a realização de prioridades, como a política habitacional e a ação social. Pude conseguir, com o apoio do governo federal, fixar o nome completo à medida em que se tornou conhecido em Brasília o resultado concreto das quase 20 mil casas construídas. José Múcio, bem conceituado como governador pernambucano, teve oportunidade de ascender para espaços maiores na administração pública.

Como éramos do mesmo partido – a Frente Liberal –, nas reuniões parlamentares, muitas vezes fizemos que os correligionários nos ouvissem com atenção. A vida levou-nos para continuidade da tarefa de prosseguir na defesa dos melhores princípios.

Pois bem, hoje, José Múcio é Ministro da Defesa. Ao meu juízo, quando Maduro, o grotesco, deu a entender que poderia invadir a Guiana atravessando o território brasileiro, ouviu-se, antes de qualquer outro, a resposta sem vacilações do Ministro José Múcio: “Por aqui, ele não passará.” Isto é uma frase de um Ministro que não se assusta com as palhaçadas do presidente venezuelano, e mais: que é capaz de fazer saber ao seu povo que o governo do qual participa deve ter posição clara.

Fiquei satisfeito quando ouvi a frase de José Múcio: autêntico e digno. É das figuras que com ações, como a chamada disciplinar, quase sozinho salva a imagem de um ministério que – é uma pena – não está no seu nível enquanto o Presidente da República não faz com que a população brasileira entenda o que ele e seu governo pensam e pretendem fazer com o momento em que se alarga um risco de confronto entre Venezuela e Guiana.

Ambos tentam atrair o Brasil para o processo. O Ministro da defesa fala com todas as letras o que cabe dar uma chamada no ditador venezuelano. Não é possível que, com todas as palavras sinuosas de Maduro, não tenhamos tido, até José Múcio, alguém representativo do governo botando Maduro no seu lugar.

Não é possível que uma figura burlesca de opereta popular como Maduro esteja com suas afirmações sem fundamento pondo em polvorosa países como a Guiana, o Brasil e, de certa forma, os EUA.

Ou se aplicam algumas palmadas fortes no presidente venezuelano, ou, se ninguém fizer isso, o risco é de que ele acabe uma espécie de caudilho com liderança em parte da América Central com avanços no Caribe e já se sentindo à vontade na América do Sul. É preciso dar-lhe um basta.

– Carlos Alberto Chiarelli foi ministro da Educação e ministro da Integração Internacional. (E-mails para carolchiarelli@hotmail.com)

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