Terça-feira, 23 de julho de 2024

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Voltar “Air”, “Tetris”, “BlackBerry”, “Barbie”: filmes sobre produtos reais são tendência em Hollywood; entenda

Um tênis, um salgadinho, um game clássico, um smartphone, uma boneca. Todos produtos aparentemente banais. Mas que, agora, estão virando coisa de cinema. Chega às salas brasileiras hoje o filme “Air: a história por trás do logo”, dirigido e estrelado por Ben Affleck, com a trama por trás da criação do tênis Air Jordan, parceria entre Nike e Michael Jordan que revolucionou o marketing esportivo.

Na semana passada, foi a vez de “Tetris” ser lançado no streaming. Com Taron Egerton à frente do elenco, o longa narra como o tradicional game Tetris deixou a União Soviética para conquistar o mundo. Nos próximos meses, o público poderá conferir “Flamin’ hot”, sobre a invenção do salgadinho Cheetos picante por Richard Montañez (Jesse Garcia), um zelador da fábrica da Frito-Lay, e “BlackBerry”, sobre a ascensão e queda do primeiro smartphone do mundo, idealizado por Mike Lazaridis (Jay Baruchel).

Seria a “cinebiografia” de coisas uma tendência? Por que essas histórias, que mostram como uma marca e/ou produto impactou tantas vidas, estão cativando mais a indústria cinematográfica? Afinal, filmes sobre marcas e negócios não são exatamente uma novidade. “A rede social” (2010) foi sucesso de crítica e recebeu três estatuetas do Oscar ao retratar a história por trás do Facebook. “Fome de poder” (2016) conta os bastidores do surgimento do McDonald’s. No ano passado, a série “WeCrashed”, com Jared Leto e Anne Hathaway, abordou o ocaso da startup WeWork. A novidade agora é o foco em produtos e uma certa abordagem nostálgica.

“Air retrata o momento em que o conceito de criar uma marca e associá-la a uma identidade pessoal foi articulado pela primeira vez”, diz Ben Affleck, que só aceitou fazer o filme após conseguir a aprovação de Michael Jordan. “A equipe nada convencional da Nike viu grandeza em Jordan, mas nunca imaginou que um tênis projetado em torno de um único jogador seria o catalisador de uma indústria global multibilionária que estabeleceria um novo padrão de operação.”

O longa é a primeira obra da produtora Artists Equity, criada por Affleck e Matt Damon, amigos de longa data e vencedores do Oscar de melhor roteiro por “Gênio indomável” (1997). No drama, Affleck interpreta o fundador da Nike, Phil Knight, enquanto Damon dá vida ao executivo de marketing esportivo Sonny Vaccaro. A trama se passa em 1984, quando a Nike era uma empresa em dificuldades econômicas e Jordan, um novato nas quadras de basquete.

Um caso um pouco diferente, mas que também envolve um produto muito conhecido, é “Barbie”. O aguardado filme de Greta Gerwig, que reúne Margot Robbie, Ryan Gosling, Helen Mirren, Will Ferrell, Dua Lipa e grande elenco, criou uma história ficcionalizada por trás da boneca mais famosa do mundo.

Ver e comprar

Roteirista da série da TV Globo “Sob pressão” e publicitário, Márcio Alemão lembra que o cinema já foi usado para promover produtos no passado, incluindo armas, como nos filmes “Winchester ‘73” (1950), de Anthony Mann, “Colt 45” (1950), de Edwin L. Marin, e “Magnum 44” (1973), de TedPost:

“Não tenho preconceito nenhum, desde que seja uma história boa e relevante. O que não podemos ter é uma exaltação sem fundamento do produto. Você não pode sair do cinema com a sensação de que viu uma propaganda chata e longa.”

Para ele, não é muito diferente contar a biografia de um produto ou de uma pessoa. Ele lembra que, no caso de histórias sobre indivíduos, também se deve tomar cuidados para não exaltar o personagem de forma desproporcional.

O antropólogo e pesquisador Michel Alcoforado aponta que a transformação de produto em personagem é um reflexo do que anda acontecendo hoje em dia.

“Vivemos um momento marcado pela antropomorfização das coisas, e o cinema agora entra para ajudar nisso. O seu celular não é só mais um celular, ele é quase uma pessoa. Você não sai da sua casa sem ele”, destaca. “Quando penso num filme para contar a história de um produto, estou partindo do princípio de que os produtos nascem, crescem, se reproduzem e morrem, assim como as pessoas.”

Criador do game Tetris, que inspirou o filme homônimo, o engenheiro de computação Alexey Pajitnov conta ter ficado surpreso com a reação do público na primeira exibição do longa, no festival South by Southwest (SXSW), no mês passado, nos EUA.

“Uma surpresa para mim foi ver que o Tetris como um personagem no filme, e as pessoas se relacionam com o jogo e se emocionam vendo isso em cena. Fiquei fascinado”, destaca o russo.

Com “Air” em cartaz nos cinemas e “Tetris” disponível no streaming, o próximo filme sobre produto a estrear no Brasil é “Barbie”, com lançamento comercial marcado para o dia 20 de julho. Também exibidos recentemente no SXSW, “BlackBerry” e “Flamin’ Hot” ainda não têm previsão de exibição no país.

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