Quinta-feira, 25 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 21 de junho de 2026
De todas as explicações do senador Jaques Wagner (PT-BA), em entrevista à BandNews, a mais frágil é aquela sobre o apartamento de R$ 2,45 milhões. Ele disse que pediu para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, adquiri-lo porque a unidade ainda estava em construção e a filha o recompraria, com sua ajuda, assim que vendesse o apartamento em que morava.
A versão do senador pode vir a ser comprovada ou não, mas o que parece inexplicável é que o líder do governo no Senado, em novembro de 2024, momento em que o Master já mostrava problemas de liquidez, tenha feito semelhante pedido a um sócio do banco.
Que vai manter a candidatura à reeleição, parece crível. Um de seus rivais, João Roma (PL), ex-ministro de Jair Bolsonaro e candidato na chapa de ACM Neto, tem uma relação ainda mais próxima com o Master. O outro, Angelo Coronel (Republicanos-BA), que disputa a reeleição, foi incluído em auditorias da CGU sobre a falta de transparência em emendas. Além disso, na conquista do atual mandato, Wagner também foi alvo de busca e apreensão sob a acusação de ter desviado recursos da construção do estádio Fonte Nova, na Bahia. A denúncia foi arquivada.
Sobre os dólares encontrados em seu apartamento, disse terem sido decorrentes das diárias pagas pelo Senado para a participação em eventos no exterior relativos a seu mandato. Mandou fazer levantamento que indicaria US$ 70 mil em diárias. Foram encontrados US$ 55 mil, além de € 33 mil. As diárias no Congresso, de fato, são pagas em espécie.
Falou ainda que esteve duas vezes com Vorcaro, quando ele se associou a Augusto Lima e quando o apresentou a Ricardo Lewandowski para que integrasse sua assessoria jurídica. Fez questão de dizer que não o apresentara ao ex-ministro Guido Mantega nem participara da reunião que este promoveu para apresentar Lula a Vorcaro no Palácio do Planalto. Ou seja, lavou as mãos da responsabilidade de ter aproximado o personagem mais tóxico da República do presidente.
O discurso mais recorrente de governistas em resposta à operação da PF é o de que o episódio comprova a completa independência da PF. A situação, de fato, não era esta no governo Jair Bolsonaro, como o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR) contou antes de voltar para o colo da família.
Se Lula se distancia de Bolsonaro, se aproxima da ex-presidente Dilma Rousseff. Até constrangimento fiscal já apareceu de novo. Lula foi empurrado a gravar uma declaração de apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), depois de ter se comprometido com a postulação do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No dia seguinte, o TCU, presidido pelo irmão de Veneziano, Vital do Rêgo Filho, aprovou as contas do governo.
Os ecos da Lava-Jato, que já invadiam Brasília, acabaram por dominar a política com a deflagração da operação desta quinta. Assim como Dilma, Lula diz que as investigações têm que ir até o fim e quem tiver que responder que o faça. A revelação de que o senador mais próximo do presidente da República prestou favores e recebeu benefícios do grupo Master traz desconforto eleitoral, mas o embaraço é, sobretudo, político.
Dilma não quis intervir na Lava-Jato e esta postura, em grande parte, custou seu mandato. Lula, mesmo que quisesse, não pode fazê-lo. O ministro André Mendonça isolou a cúpula da PF do caso. Enquanto as investigações se restringiam ao Centrão, este isolamento beneficiou Lula Agora que chegaram a um dos seus, o imobilizou.
Veja-se, por exemplo, a desenvoltura com a qual o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comentou o episódio. Embarcou no discurso da presunção de inocência, mas fez questão de dizer que esta não tem sido respeitada pelo PT quando os achados avançam sobre a oposição.
As analogias entre Wagner e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) se imporão. Ciro foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro. Wagner, no governo Dilma. Ciro assinou a emenda Master, Wagner, no governo passado, a emenda à MP que ampliava o crédito consignado para beneficiários do BPC, que alavancou o Master.
A generosidade de Vorcaro com Ciro se deu em outra escala e num momento em que o banqueiro articulava abertamente para sair da arapuca em que havia se metido, mas a comparação será inevitável. Um foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro, o outro, de Dilma Rousseff. Neste cargo, Wagner viveu toda a agonia da ex-presidente. Conhece o drama de um Palácio do Planalto cercado de pressões e chantagens – o bastante para não ter contribuído para uma reprise. Com informações do portal Valor Econômico.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.