Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 22 de outubro de 2026
1. Todo bom mané gosta de dizer que pensa criticamente, como se afirmar isso transformasse sua opinião sem valia em alguma coisa que preste.
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2. Toda vez que dizemos que apreciamos a opinião de alguém por considerarmos a pessoa crítica, não estamos dizendo que o que foi dito seja algo inteligente pra caramba. Nada disso, cara-pálida. Na real, estamos apenas dizendo que concordamos com o que foi dito pelo fulano porque está de acordo com aquilo que nós pensamos. Só isso e olhe lá.
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3. Quando o assunto é esse trololó de criticidade, estou com o filósofo espanhol Gregorio Luri, que, de forma curta e grossa, feito pino de patrola, nos lembra que apenas podemos dizer que pensamos criticamente quando somos capazes de pensar a partir dos corolários opostos às nossas convicções e, vez por outra, sermos capazes de discordar de nós mesmos — de admitir que estávamos redondamente errados. Se não somos capazes disso, sinto muito, mas nós não somos críticos nem na casa do chapéu.
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4. Colocar defeito em tudo e todos não é, nunca foi e jamais será sinal de criticidade. Na melhor das hipóteses, é apenas a manifestação tediosa de uma chatice descomunal. Todo bom crítico sabe que, antes de qualquer coisa, é imprescindível fazer uma apreciação honesta e justa daquilo que será alvo de nossa causticidade. Se não fazemos isso, aquilo que chamamos de crítica é apenas e tão somente maldade, e nada mais.
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5. Mais importante para a formação do caráter do que a disposição para a crítica é a inclinação sincera e honesta a admirar tudo aquilo que é digno de veneração. Quando somos incapazes de reconhecer que existem pessoas muitíssimo melhores do que nós em muitas coisas, perdemos a capacidade de nos elevar e de nos aprimorar. Da mesma forma, quando achamos defeito em tudo e todos, também estagnamos por, inconscientemente, imaginarmos que somos o bichão da goiaba.
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6. Somente quem sabe admirar algo ou alguém compreende qual é o real valor de uma boa crítica e, principalmente, quando é necessário desferir uma.
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7. Não há o menor sentido em realizarmos uma crítica quando não nutrimos em nosso coração um sincero e abnegado amor pela verdade. Se não temos isso no peito, toda e qualquer crítica, por mais justa que seja, será apenas e tão somente uma cristalina manifestação da nossa vaidade encruada.

* Dartagnan Zanela, professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “Um gigante que não quer acordar”, entre outros livros.
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