Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Voltar A pressão inédita sofrida pelo Banco Central na esteira da liquidação extrajudicial do Banco Master piora o risco Brasil

A pressão inédita sofrida pelo Banco Central na esteira da liquidação extrajudicial do Master começa a ganhar relevância para os participantes do mercado. A piora no risco Brasil, medido pelos spreads dos contratos de “credit default swap” (CDS) de cinco anos, foi o primeiro sinal de busca por proteção por parte dos investidores. E, agora, o temor de tentativas de interferência política nas indicações para a diretoria da autoridade monetária já entra no radar dos agentes e amplia as preocupações em torno do BC.

Com dois nomes a menos na diretoria da autoridade monetária após a saída de Diogo Guillen e de Renato Gomes em 2025 — e a ausência de indicação de substitutos até o momento —, especulações sobre o risco de interferência política nas nomeações começam a assombrar os agentes. Isso, contudo, não é de hoje.

Já no fim de outubro, quando nem mesmo a liquidação do Master havia sido decretada, circulavam rumores entre participantes do mercado sobre a tentativa do Centrão de influenciar na indicação do substituto de Renato Gomes na Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. Havia, contudo, uma percepção de blindagem a esses cargos. Agora, até mesmo entre servidores do BC as preocupações nesse sentido têm sido crescentes.

Um auditor do BC, ouvido sob condição de anonimato, diz acreditar que haverá pressão política sobre as indicações para as vagas abertas na diretoria, especialmente no momento em que a instituição vive um “ataque descarado” em torno do caso do Banco Master. Apesar disso, o servidor não acredita que a escolha final terá cunho político. “Já tentaram isso antes, mas não deu certo. Se houver uma escolha política, o mercado não reagirá bem. O BC é ‘frágil’ politicamente e o que nos fortalece é o fato de sermos técnicos.”

Os temores aumentaram, sobretudo, após a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — um nome que não foi bem-recebido pelo mercado.

“Acredito que o precedente aberto para a indicação na CVM tende a aumentar a pressão política na indicação dos dois diretores do BC. Ao mesmo tempo, uma interferência política geraria uma ‘gritaria’ maior no mercado e teria uma repercussão negativa bem maior”, avalia o gestor de uma importante casa carioca. “Podem tentar balancear os interesses e optar por indicar executivos que tenham um perfil técnico e com viés político”, afirma.

Um ex-diretor do BC também se mostra preocupado com o momento atual. Para ele, com o caso Master no foco e o precedente aberto na CVM, as chances de uma indicação política para a diretoria colegiada do BC aumentam. “A diretoria do Renato [Gomes] não estava nos holofotes e passou a ficar. Poucos prestavam atenção. Era um cargo que interessava aos políticos quando o BC emperrou uma autorização para agências de fomento, mas não era uma diretoria glamurosa”, afirma em condição de anonimato. O momento atual, porém, pode contaminar esse ambiente.

Em sua avaliação, o melhor cenário seria o de “deixar a poeira baixar” e fazer as indicações somente alguns meses à frente para evitar um desgaste maior, já que a cadeira ocupada por Gomes passou a chamar a atenção dos políticos quando analisou o processo de compra do Master pelo BRB e durante a liquidação do banco.

A chance de as cadeiras antes ocupadas por Gomes e por Guillen ficarem vagas por mais tempo é uma possibilidade levantada pelo ex-diretor do BC e sócio-fundador da Panamby Capital, Reinaldo Le Grazie. Para ele, uma ingerência política relevante nas nomeações para a autarquia é difícil. “É improvável. É uma turma muito técnica e que só pensa em política monetária, regulação, fiscalização… Todo mundo é muito teimoso com isso e não existe espaço para falta de técnica. O BC tem força para recusar nomes que não sejam alinhados à cultura do banco”, avalia.

Alguns agentes mostram preocupação, também, com a possibilidade de nomes do mercado ou da academia ficarem desestimulados para ingressar no BC. “É muito ruim tudo isso que está rolando. Gente que está no mercado com uma boa remuneração já tendia a não querer. Com toda essa pressão política, a possibilidade cai ainda mais. É tomar um risco no CPF de graça, ainda mais com tanta pressão política”, enfatiza o tesoureiro de um grande banco local.

Nos preços dos ativos financeiros, o caso Master tinha, até então, influência nula. Alguns primeiros sinais de aumento do prêmio de risco devido a esse assunto foram vistos no pregão de terça-feira, quando os spreads do CDS de cinco anos do Brasil saltaram 2,5%, para 140,2 pontos, de acordo com dados da S&P Global Market Intelligence, em um movimento que não foi acompanhado por boa parte do mundo emergente. De acordo com operadores de tesourarias de grandes bancos, a preocupação com a possibilidade de reversão da liquidação do Master afetou o risco Brasil. Com informações do portal Valor Econômico.

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