Sexta-feira, 20 de março de 2026

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Voltar A mais nova fobia brasileira: ter a voz clonada pela inteligência artificial em golpe virtual

A inteligência artificial gera hype, mas também provoca medo. Entre os brasileiros, 89% já manifestam o temor de que sua voz seja clonada por IA em golpes virtuais, revela pesquisa da Mastercard. Além disso, 81% dos brasileiros acreditam que deepfakes — os vídeos falsos criados por IA — podem ameaçar a segurança nacional já no próximo ano.

Os dados sobre o Brasil são parte de um estudo global de cibersegurança encomendado pela bandeira de cartão Mastercard e conduzido pela The Harris Poll entre 8 e 25 de setembro. A pesquisa ouviu 13.077 consumidores em 15 mercados, sendo 1.006 entrevistados no Brasil.

O levantamento detectou que 59% dos consumidores brasileiros dizem que sentiriam vergonha se fossem vítimas de golpe virtual. Quase três quartos (74%) deixariam de comprar em pequenos negócios se fossem vítimas de fraude, passando a comprar apenas em grandes varejistas ou marcas conhecidas. Sessenta e três por cento deixariam de comprar com o varejista onde a fraude ocorreu.

Mais conectada, a geração Z é também a mais vulnerável. Jovens com idades entre 18 e 27 anos são os que mais interagiram com tentativas de golpe no último ano (29%), mas também são os que menos adotam práticas básicas de segurança (50%).

No Brasil, as fraudes mais comuns ocorrem em compras no varejo (37%), seguidas por esquemas de investimento/criptomoedas (30%) e roubo de identidade (31%).

Casos reais

Criminosos têm usado softwares capazes de recriar a voz e a aparência de pessoas para aplicar golpes. Essas ferramentas permitem sincronizar expressões faciais, movimentos labiais e tons de voz, produzindo falsificações muito parecidas com vídeos e áudios reais.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Segurança Pública emitiu um alerta sobre o chamado “golpe do roubo da voz”. Nessa modalidade, os criminosos se passam por representantes da secretaria ou de delegacias de polícia e entram em contato com as vítimas, supostamente para tratar de “uma ocorrência”.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, houve uma alta de 17 % nos casos de estelionato por meio eletrônico. O advogado criminalista Leonardo Mendonça, especialista em Direito Penal Econômico e Crimes Cibernéticos, explica por quê o crime é de difícil repressão.

“Porque envolve prova subjetiva e reconstrução de contexto de engano. Quando adicionamos a inteligência artificial ou adequação, a situação ainda se agrava. A vítima pode ser enganada até por quem acredita estar vendo ou ouvindo. É uma forma de fraude que desafia os próprios sentidos humanos”.

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