Sábado, 28 de março de 2026

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Voltar A guerra no Oriente Médio expõe a insegurança energética do Brasil, diz ex-presidente da Petrobras

A guerra no Irã e a alta dos preços do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz expõem a insegurança energética do Brasil, que interrompeu o projeto de ampliação do refino no País em meio à Operação Lava-Jato e à pressão das multinacionais do setor, avaliou o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.

Em entrevista à Agência Brasil divulgada neste sábado (28), Gabrielli destacou que os Estados Unidos tentam interferir no mercado mundial do petróleo por meio das intervenções na Venezuela e no Irã e que a guerra vai alterar a geografia desse comércio com provável maior participação do Brasil, Canadá e Guiana na oferta do óleo bruto para China e Índia.

Porém, segundo ele, sem capacidade de refino para atender a demanda interna, em especial o diesel, o Brasil estaria exposto às turbulências do atual período.

“O Brasil tem um problema de segurança energética. Nós não temos capacidade de refino para atender o mercado brasileiro de diesel, gasolina e gás de cozinha. A maior dependência nossa é de diesel, entre 20% e 30% do mercado brasileiro. Para aumentar a segurança energética, tem que aumentar a capacidade de refino. O Brasil, a partir da Operação Lava-Jato, inibiu a possibilidade de criação de novas refinarias. A Petrobras tinha planos de construir cinco refinarias. Construiu uma. De 1980 a 2014, o Brasil não fez nenhuma refinaria nova. Em 2014, inaugurou a refinaria de Pernambuco. Teve ainda outra campanha histórica contra a capacidade de refino no Brasil, que vem desde 1911, quando começou a discussão no Brasil sobre petróleo. Quem estava aqui em 1911 era a Exxon e a Shell. Elas sempre controlaram a distribuição no Brasil e sempre se opuseram à expansão do refino brasileiro. Quando vem a crise, fica evidente o significado da insegurança energética”, disse Gabrielli.

“Mas, na crise, não dá para construir refinaria porque leva cinco anos para ficar pronta. A única solução de curto prazo, e que foi adotada pelo governo, envolve preços”, prosseguiu o ex-presidente da Petrobras.

Nomeado durante o primeiro mandato de Lula, Gabrielli exerceu a presidência da Petrobras de 2005 a 2012. Ele lançou o livro “Economia do Hidrogênio: Paradigma Energético do Futuro”, sobre as perspectivas do uso do hidrogênio na transição energética.

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