Quinta-feira, 14 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 10 de maio de 2026
A exportação total brasileira atingiu em abril o maior valor já registrado para qualquer mês da série histórica, com superávit comercial e corrente de comércio recordes para o mês. Analistas destacam, porém, que parte disso é efeito da incerteza no contexto geopolítico global, agravada desde março com a eclosão do conflito no Oriente Médio. O quadro favoreceu preços de commodities importantes na exportação brasileira, que também foi beneficiada pela sazonalidade da soja, usualmente com fortes embarques no mês. A importação também cresceu em parte sob o peso de preços influenciados pela guerra no Irã, mas a uma taxa menor que a exportação.
O superávit em abril alcançou US$ 10,5 bilhões, resultado 37,5% superior a igual mês de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic). As exportações somaram US$ 34,1 bilhões, com alta de 14,3%. As importações alcançaram US$ 23,6 bilhões, alta de 6,2%. No acumulado do ano, o superávit foi de R$ 24,8 bilhões, alta de 43,5%, com US$ 116,6 bilhões em exportações e US$ 91,8 bilhões em importações. A corrente de comércio cresceu 6,1% e alcançou US$ 208,3 bilhões.
“A leitura de abril confirma que o superávit comercial voltou a ganhar força no curto prazo, sustentado por exportações mais fortes e por importações que, apesar de elevadas, aceleraram menos que os embarques”, diz Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay.
“Há um efeito sazonal muito grande em abril, da exportação de soja, que teve aceleração para a China, mas também dentro do esperado. O petróleo se destaca pelos preços, por conta do conflito”, observa Benedito. Efeito semelhante, diz, teve a carne bovina, com avanço de 4,3% na quantidade exportada, mas com preços subindo a taxa maior, de 24,1%, o que resultou em aumento de 29,4% na receita de venda externa.
Os dados da Secex mostram que a receita de exportação de petróleo cresceu 10,6% em abril, ante igual mês de 2025. Houve queda de 10,6% em volume, mas alta de 23,7% nos preços. O petróleo somou US$ 4,8 bilhões em abril e foi o segundo item mais exportado, atrás da soja, com US$ 6,97 bilhões. O grão foi beneficiado por alta de preços (8,4%) e de quantidade (9,7%), com ganho de 18,8% na receita de embarque, em igual período. O minério de ferro foi o terceiro item, com US$ 2,5 bilhões. O valor subiu 19,5%, com alta de 15% em volume e de 4% em preços.
Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secex, mesmo com o imposto de exportação, o petróleo bruto brasileiro segue competitivo. Segundo ele, as exportações cresceram nos meses anteriores e a expectativa é de continuidade desse movimento em maio.
“Por mais que o número [do superávit comercial de abril] seja exorbitante, o qualitativo da balança não foi muito bom. A China vem levantando a bola do petróleo, da soja, do minério de ferro e da carne bovina, mantendo seu grande destaque, fazendo recomposição de estoques estratégicos”, diz Benedito. Ao mesmo tempo, diz, Argentina e EUA apresentam resultados fracos.
Pelos dados da Secex, as importações origem Argentina cresceram 21,2% em abril, mas as exportações brasileiras para o país vizinho caíram 18,5%. Para os americanos houve queda de importação (-18,1%) e também de exportação (-11,3%).
Para André Valério, economista do Inter, a balança de abril mostra que, de certa forma, o Brasil tem se beneficiado do atual cenário geopolítico, de elevada incerteza. O tarifaço americano no decorrer de 2025, diz, permitiu ganhar importante fatia de mercado na China, especialmente nas exportações do agro, enquanto o conflito no Oriente Médio tem permitido que os embarques de petróleo ganhem novos mercados, também com destaque para a China. Com isso, diz, o cenário é mais positivo para a balança em 2026, com expectativa de superávit de US$ 78 bilhões.
A Secex mostra que em abril a China absorveu 69,1% da exportação brasileira de soja. No minério de ferro e no petróleo as fatias foram de 70,1% e 55,1%, nessa ordem. Os embarques aos chineses em abril subiram 32,5% ante igual mês de 2025, mais que o dobro da taxa da exportação total do Brasil. Com informações do portal Valor Econômico.
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