Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Voltar A crescente irritação do governo Lula com Nicolás Maduro: entenda a crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem escondido de seus auxiliares mais próximos a irritação crescente com o ditador Nicolás Maduro diante da escalada da crise entre a Venezuela e a Guiana por conta da disputa pela região do Essequibo, rica em petróleo.

Para integrantes do primeiro escalão do governo Lula, Maduro apelou ao referendo e agora à ameaça de invasão da região do Essequibo em um gesto desesperado de “sobrevivência política”.

Na avaliação de ministros próximos ao presidente, o venezuelano atrapalha a estratégia lulista de exercer liderança sobre a América Latina.

O território de Essequibo ocupa uma área de 159.542 km², maior que o Estado do Ceará, e é em grande parte coberto por floresta. É uma região rica não apenas em petróleo, mas também em recursos minerais e naturais, como ouro, diamante e cobre.

O Banco Mundial estima que o PIB da Guiana vai crescer 29% só neste ano, um crescimento de causar inveja a Maduro, que deve ver a economia venezuela aumentar 4% em 2023.

O “boom” está diretamente relacionado à extração de petróleo de Essequibo, onde está localizada uma das maiores reservas do mundo, estimada em 11 bilhões de barris.

Malvinas

No governo lulista há ministros comparando a ofensiva de Maduro com a de outro regime autoritário, no caso, a do ditador argentino Leopoldo Galtieri, que arrastou a Argentina numa guerra contra a Inglaterra pelo controle do arquipélago das Malvinas, em 1982. O conflito resultou na morte de 650 argentinos – e na derrota humilhante daquele país.

Na última segunda-feira, Maduro afirmou que a Venezuela busca vai “conseguir recuperar Essequibo”. Mas emissários do governo Lula já avisaram que o Brasil não vai apoiar qualquer aventura na região.

Por conta disso, o Exército brasileiro antecipou o envio de 60 militares e blindados para reforçar a segurança em Pacaraima — cidade de Roraima próxima à tríplice fronteira com Venezuela e Guiana. Pacaraima é um ponto usual de entrada de venezuelanos que deixam seu país em busca de oportunidades ao Brasil.

“Ali fica a Serra de Pacaraima, ou monte Roraima, que dificulta qualquer ação terrestre da Venezuela sobre a Guiana. O acesso natural seria cruzando o território brasileiro no norte de Roraima, e isso o Brasil não vai permitir”, disse um general com experiência na região.

Reforço nas fronteiras

“Os meios militares na região de Roraima já foram reforçados, caracterizando que não se permitirá a violação do nosso território. Logo, há sim o risco de o Brasil ser arrastado para a crise.”

Nesta quinta-feira, durante a abertura da 63ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no Museu do Amanhã, no Rio, Lula verbalizou sua posição no conflito:

“Coisa que não queremos na América do Sul é guerra. Não precisamos de guerra, de conflito. Precisamos construir a paz. Só assim poderemos melhorar nosso país”, disse Lula nesta quinta-feira.

Também na quinta-feira, os Estados Unidos informaram que farão exercícios aéreos militares na Guiana em meio às tensões entre Georgetown e Caracas, em uma ação que foi considerada uma “provocação” por Maduro.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

No Ar: