Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Voltar 25 de agosto Dia do Soldado, Dia de Caxias

Hoje, 25 de agosto em 1803, nascia em uma família tradicionalmente ligada às armas, Luis Alves de Lima e Silva. Ingressou muito cedo na vida militar. Ainda adolescente participou da repressão às Revolta da Cabanagem, na então província do Grão Pará (hoje estado do Pará), da Balaiada, no Maranhão, e na Guerra dos Farrapos.

Por seu desempenho na Balaiada, foi elevado a Barão pelo Imperador tendo escolhido para nome de seu título “Caxias”, nome da 2ª maior cidade do Maranhão a época, por ele recapturada aos rebeldes na Balaiada. Foi Presidente e Comandante das Armas da Provincia São Pedro do Rio Grande do Sul de novembro de1842 a março de1846.

Além de obter a pacificação com os Farroupilhas deixou marcas até hoje evidentes, mas pouco conhecidas pelos porto-alegrenses: a numeração das mordias nas ruas de Porto Alegre, o Cemitério da Santa Casa na montanha da Azenha e a construção Quartel-General e sede administrativa do comando militar da província, hoje o Museu Militar do CMS.

Em todas as campanhas mencionadas, demonstrou qualidades que se tornariam sua marca: prudência estratégica, capacidade de negociação, disciplina rígida e, sobretudo, habilidade de construir coesão entre tropas heterogêneas. Destas campanhas todas, renderam-lhe o título de “O Pacificador”, hoje uma das mais altas honrarias concedidas pelo EB.

Esses atributos explicam sua ascensão contínua. Caxias não era apenas um comandante eficiente; era um líder capaz de compreender o contexto político e social das revoltas, evitando excessos e buscando soluções duradouras. Sua postura equilibrada agradava à elite conservadora, que via nele um militar confiável, capaz de manter a ordem sem romper com a legalidade.

Durante o Império, o Brasil vivia intensas disputas entre conservadores e liberais. Caxias, alinhado ao grupo conservador, carregava consigo não apenas a responsabilidade militar, mas também o peso de representar uma corrente política que defendia estabilidade, centralização e manutenção da ordem. Isso o colocava sob constante escrutínio: qualquer erro poderia ser interpretado como fragilidade da própria estrutura imperial.

Mesmo assim, Caxias soube navegar nesse ambiente complexo. Reconhecia que a política influenciava diretamente a guerra e, por isso, buscava agir com moderação, evitando que disputas partidárias contaminassem o comando das tropas. Sua habilidade de reconhecer equívocos, assumir responsabilidades e corrigir rumos reforçava sua imagem de líder confiável.

Seu maior desafio veio com a Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870), o mais longo e sangrento conflito da história sul-americana. Ao assumir o comando das forças brasileiras, Caxias encontrou um cenário preocupante: tropas mal preparadas, oficiais inexperientes e uma estrutura logística deficiente. Além disso, desconfiava profundamente dos chefes militares aliados — especialmente dos argentinos — temendo que divergências políticas e rivalidades regionais prejudicassem a condução da guerra.

Sua perspicácia foi decisiva. Caxias percebeu que, antes de avançar contra o Paraguai, era necessário reorganizar o Exército Brasileiro. Implementou treinamento rigoroso, reorganizou cadeias de comando, reforçou a disciplina e buscou formar líderes capazes de conduzir batalhas complexas. Mais do que isso: trabalhou para criar coesão, transformando um conjunto disperso de unidades em uma força militar eficiente e moralmente fortalecida.

Essa capacidade de unir, motivar e disciplinar foi talvez sua maior contribuição. Caxias sabia que soldados lutam melhor quando confiam em seus comandantes, e por isso mantinha postura firme, mas justa. Reconhecia erros, ajustava estratégias e jamais hesitava em assumir responsabilidades — qualidades raras em comandantes de sua época.

Sob sua liderança, o Exército Brasileiro passou de uma força desorganizada a um corpo militar capaz de conduzir operações complexas, culminando na ultrapassagem de Humaitá e na marcha final rumo a Assunção. Apesar de ter uma posição diferente que o Imperador para a conclusão da guerra, acatou a posição daquele para o desfecho da guerra.

A escolha de Caxias como Patrono do Exército não se deve apenas às vitórias militares. Ela reflete um conjunto de valores que ele encarnou ao longo de toda a vida e aos quais exaltamos na data de hoje:
⦁ Coesão e disciplina: transformou tropas dispersas em forças organizadas e eficientes.
⦁ Liderança ética: reconhecia equívocos, assumia responsabilidades e buscava soluções.
⦁ Visão estratégica: compreendia que guerras não se vencem apenas no campo de batalha, mas também na política, na logística e na moral das tropas.
⦁ Moderação e equilíbrio: evitava excessos, buscava conciliação e mantinha a legalidade mesmo em tempos de crise.
⦁ Serviço ao Estado: sua carreira foi marcada pela defesa da unidade nacional e da estabilidade institucional.

Caxias tornou-se símbolo do ideal de um soldado brasileiro: disciplinado, leal, estrategista e comprometido com o país acima de interesses pessoais ou partidários. Sua vida representa a fusão entre competência militar e responsabilidade política, atributos que moldaram o Exército Brasileiro e continuam a inspirar gerações de militares.

*Júlio Cesar Hilzendeger
Presidente da AOR/2 – RS
Oficial da Reserva do EB, Consultor

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário
0 0 votos
Classificação do artigo
Verificação de Email (apenas uma vez)

Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Show Da Manhã